30.4.07

Boletins Clínicos na RTP - de Eusébio a Salazar

O Público de hoje, na peça de Joana Ferreira da Costa "Internamento de Eusébio no Hospital da Luz abriu novo modelo de comunicação", diz que "pela primeira vez os jornalistas tiveram informação constante e conferências de imprensa sobre a saúde de uma personalidade conhecida (...)". Talvez seja, antes, "pela segunda vez" (não por acaso) ... A primeira (também não por acaso) foi com Salazar (extracto do nosso livro Salazar, Caetano e a Televisão Portuguesa):

7 de Setembro de 1968: logo na primeira edição do Telejornal, às 15 horas, Gomes Ferreira lê uma sequência de quatro pequenas notícias todas a propósito do mesmo acontecimento: «(...) Em consequência de uma queda, na sua residência de Verão no Estoril, o sr. Presidente do Conselho apresentou sintomas que levaram o seu médico assistente a recorrer à colaboração de dois colegas neuro-cirurgiões. Sua Excelência foi operado esta noite de um hematoma sob anastesia local, encontrando-se bem».

Referia depois, sem imagens, a presença na Cruz Vermelha do Chefe do Estado e de vários membros do governo; e também um telegrama de Franco que, do Açor, onde se encontrava num cruzeiro, enviava as suas "boas melhoras" assim que soube da "operação de pequena cirurgia" e terminaria, naturalmente, dizendo:
«Formulamos votos pelo completo restabelecimento do Sr. Presidente do Conselho».

Esta sequência repetir-se-ia praticamente na íntegra, quer na edição das 19h30, quer na edição principal desse dia, às 21h30, a qual abrirá com o "boletim médico" de Salazar, com descrição pormenorizada dos dados fundamentais apresentados pelo paciente (auscultação, pulso, tensão, glicémia, hemograma, etc.). Nesse dia, a edição de fecho, perto da meia-noite, avançava o já referido relatório médico e por último passava uma reportagem intitulada "Salazar operado" que registava a passagem das diferentes figuras públicas pelo átrio do Hospital da Cruz Vermelha para se inteirarem do estado de saúde de Salazar:
«A nossa reportagem registou o momento da chegada do supremo magistrado da Nação. E também, entre muitas outras figuras da nossa vida política as do... ministro dos Negócios Estrangeiros... ministro das Finanças... das Corporações... presidente da Comissão Executiva da União Nacional ... ministro da Presidência... subsecretário de Estado da Presidência do Conselho... ministro da Defesa Nacional... presidente da Assembleia Nacional... E com os governantes pode afirmar-se que todos os portugueses acompanham o acontecimento, revestindo-o do carinho que merece o ílustre enfermo (...)».


As duas notícias que acabam por se evidenciar na informação produzida logo no dia imediato à queda - o relatório médico, por um lado, e a reportagem protocolar das visitas ao Hospital, por outro, marcam, por assim dizer, a estrutura e o conteúdo da informação a partir desse dia e durante as semanas seguintes, mesmo para além da ascensão de Marcello Caetano à Presidência do Conselho. Doravante teremos sempre - na maior parte das várias edições diárias -, com algumas excepções, é certo, um boletim clínico e o "filme das visitas". Frequente será também uma espécie de revista da imprensa internacional sobre Salazar (dando estranhamente, e ao contrário do que, no fundo, era dito no noticiário nacional, praticamente como adquirida a sua finitude política). Repare-se que logo nos dias seguintes à operação se pretende veicular a ideia de "normalidade" e de "recuperação" do seu estado clínico. É o que acontece logo no dia 8, na 1ª edição, às 19h30: «Aos representantes dos órgãos de informação, de piquete permanente no Hospital da Cruz Vermelha, o ministro do Interior, dr. Gonçalves Rapazote, declarou esta manhã que o estado de saúde do sr. Presidente do Conselho é, na circunstância, o melhor possível. E, para reforçar esta afirmação revelou que 'o sr. prof. dr. Oliveira Salazar acabava de ser barbeado'»... Este último período era cortado no próprio alinhamento do telejornal, evitando assim Múrias o provável jogo com a metamensagem (o barbear dos mortos) que a imaginação popular poderia extrair das palavras do ministro... Mas ainda nessa mesma edição e nas edições seguintes, e para além dos boletins clínicos e dos "filmes das visitas", a televisão vincava sobretudo a ideia de normalidade do estado clínico de Salazar: «A notícia de que a operação a que foi submetido o sr. prof. dr. Oliveira Salazar havia decorrido satisfatoriamente e de que o período pós-operatório se processou com normalidade, foi recebido com viva satisfação em Luanda» (1ª ed. 8/9/68); «(...) A janela do quarto nº 68, onde convalesce o sr. Presidente do Conselho, abriu hoje pela primeira vez. O facto tem, em si, a força de um boletim médico - o mais optimista (...)»; e Manoel Caetano, lendo Manuel Maria Múrias, a abrir o telejornal de 12/9: «(...) Acentuam-se as melhoras do sr. Presidente do Conselho. A natural ansiedade dos primeiros dias substitui-se espraiado sentimento de clara euforia. Como sempre o país acompanhou Salazar - e dos mais longínquos lugares do território nacional chegam agora as manifestações de alegria (...). E o mar humano jamais deixou de crescer - o povo, na sua imensa sabedoria transforma a essência em acontecimento. (...) Salazar está melhor, Graças a Deus'». Finalmente, no telejornal de dia 14, com o sétimo boletim médico: «O sr. Presidente do Conselho entrou em franca convalescença e regressará brevemente à sua residência de Lisboa». No dia seguinte (TJ 15/9), «(...) chegava à Casa de Saúde da Cruz Vermelha o Sr. Presidente da República. (...) Américo Tomás dirigiu-se imediatamente para a sala de reuniões, no 7º andar do hospital, onde era aguardado (...)», indo depois «até ao quarto onde se encontra - felizmente já em franca convalescença - o sr. Presidente do Conselho (...). À saída era imensa a alegria que se via no rosto do sr. Presidente da República (...) os médicos repetiram ao senhor almirante Américo Tomás: Restituímos o sr. Presidente do Conselho à Nação completamente curado».

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SIC: notícias 'apenas' para 'encher'

Ao menos reconhecem o que fazem... Mais reportagens e entrevistas - SIC aposta na Informação (CM, 30.4.07): "O Jornal da Noite, a partir de Maio, terá mais reportagem e mais entrevista durante cerca de uma hora e meia: "Em vez de ter de gastar dinheiro com um programa de meia hora, a SIC preferiu valorizar o seu principal bloco informativo. 'Acaba-se, assim, com algumas notícias sem grande interesse', metidas no ar, apenas, para ‘encher’, diz-nos fonte da estação de Carnaxide, a qual hoje, de manhã, apresenta a nova fase da sua Informação".

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Cibermedios. El impacto de internet en los medios de comunicación en España. Ramón Salaverría (coord.), Sevilha, Comunicación Social, 2005.
Índice ; Introducción. Esta obra ofrece al lector un balance integral del impacto de internet en los medios de comunicación en España, con el convencimiento de que dicho impacto no sólo se ha limitado a los medios propiamente digitales, sino que alcanza a la empresa de comunicación en su totalidad. El principal objetivo de este libro es arrojar luz sobre el proceso de consolidación de los cibermedios en España, desde su aparición en 1994 hasta el momento presente, así como analizar sus repercusiones en los múltiples ámbitos en los que se desenvuelve la profesión periodística. A lo largo de estas páginas se tratan aspectos relevantes del ciberperiodismo hispano: la tipología y los modelos de negocio de los cibermedios, los géneros periodísticos, el diseño y la navegación de publicaciones digitales, el perfil profesional, marco legal y formación de los periodistas en nuestro país, y los peculiares retos éticos que todo ello comporta.

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"OPA política do PS"

OPA política do PS (JAL, Sol online 21.4.07): "(...) Depois da OPA espanhola sobre a Media Capital e a TVI, segue-se, como muitos previam e alertaram há dois anos, a OPA política do PS. Com a bênção do irmão PSOE e sem sequer se procurar disfarçar a operação e o que está em jogo: Pina Moura e José Lemos dispensam mais comentários. (...) Pina Moura não pode vir a ser um excelente chairman e gestor da Media Capital? Pode, tal como da Iberdrola. E não pode manter a TVI e os outros meios do grupo fora da intromissão política do PS e do Governo? Pode, em teoria. O problema é que ninguém acredita.

O último a saber: Moniz não sabia da nomeação de Pina Moura (Sol/CM, 28.4.07).

E em defesa da honra socialista: O cardeal que provoca claustrofobia — peça em três actos


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27.4.07

O novo 'pivot'

26.4.07

Ó Dra. Judite...

Esqueceu-se daquela perguntinha - não despicienda - ao Dr. Pina Moura (Grande Entrevista, RTP1) relativa ao cumprimento do 'caderno de encargos' a que o Estado (via regulador) obrigou a TVI na altura da renovação da licença...

(...) a ERC, na sua Deliberação 1-L/2006 - "Renovação das licenças para o exercício da actividade televisiva dos operadores SIC e TVI", vem considerar, na conclusão do documento, que na análise realizada se verificou “o incumprimento de obrigações assumidas pelos requerentes”. Tendo considerado ainda que “os objectivos constantes da ordem jurídica relativos à actividade de televisão pressupõem o estrito cumprimento das obrigações a que os operadores SIC e TVI estão adstritos, em especial nas áreas da programação infantil, cultural e informativa”, e sendo assim a ERC decidia-se pela renovação das licenças, na condição do cumprimento de certas “obrigações” por parte da SIC e da TVI:

SIC e TVI deverão, genericamente, “emitir uma programação que contribua para a formação e informação do público e para a promoção de língua e cultura portuguesas, tendo em consideração as necessidades especiais de certas categorias de espectadores, entre as quais as crianças e os jovens; contemplar na sua programação os interesses gerais e diversificados do público, incluindo grupos minoritários, étnicos, religiosos, culturais e sociais; emitir programas de informação dos sub-géneros debate e entrevista, autónomos em relação aos blocos noticiosos diários, com periodicidade não inferior a semanal; emitir, diariamente, programas dirigidos ao público infantil/juvenil, no período da manhã ou da tarde; emitir programas de natureza cultural e formativa, nomeadamente, obras de criação documental, teatral, cinematográfica e musical, depois das 23 horas, em horário de audiência não reduzida e com periodicidade regular; diversificar os géneros da programação emitida no chamado “horário-nobre” (20h00-23h00)”, etc. De um modo geral, as obrigações impostas pelo regulador vinham ao encontro do espírito da Lei e do “interesse público” originário na atribuição das licenças.

A ver vamos então se nesta matéria decisiva o novo presidente da Media Capital está com a "ideologia" do Estado português ou não.

Veja-se a entrevista segundo João Alferes Gonçalves, no site do Clube de Jornalistas:
O cardeal laico e a advogada do diabo

Revisões:

A "ideologia" de Pina Moura no divã da ERC


Do Parlamento e do PS para a Media Capital

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TDT terá dois concursos

TDT terá dois concursos diferentes: TV paga e sinal aberto: "O Governo vai lançar dois concursos diferentes para a televisão digital terrestre (TDT), um para a gestão da plataforma onde vão estar os canais em sinal aberto e outro para os canais por assinatura, revelou à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares."

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The End of Broadcast TV

Michael Harris (Cable Digital News): "(...) In such a scenario, local broadcast stations would be left with spectrum and no viewers. That's the end of broadcast TV. And when that happens, perhaps the airwaves could be reallocated for something useful, like broadband services.

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FCC Presents Ways to Control TV Violence

(AP): "There is a correlation between bloodshed on television and violence in real life, and Congress can do something about the TV version without violating the First Amendment, regulators said Wednesday. A long-awaited report from the Federal Communications Commission lays out ways the government can regulate violence on television, including cable, satellite and broadcast". Federal Communications Commission: http://www.fcc.gov

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O ministro foi à blogosfera (a essa mesmo) explicar

25.4.07

Ontem houve Abril (e Serviço Público)

23:10 SEMPRE ABRIL

01:00 SESSÃO DA MEIA NOITE
A FUGA (de Luís Filipe Costa)

02:20 ANTES E DEPOIS DO ADEUS

03:10 A PRETO E BRANCO E A CORES

04:00 25 DE ABRIL, A CANTAR

04:50 GRANDE REPÓRTER : VIDAS DE ABRIL

A RTP1, ontem, foi mais feliz do que há um ano atrás. Foi bom ver a 'trupe' do Zeca Afonso no espectáculo “Sempre Abril”, que assinalou a Revolução dos Cravos, gala realizada no Paço da Cultura de Pontevedra com as participações de Sérgio Godinho, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, João Afonso, Zeca Medeiros, Tito Paris, Luís Pastor, Trexadura, Victor Coyote, Xico de Carino e o grupo Faltriqueira. Parabéns, RTP!

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24.4.07


Apresentação de proposta de comunicações:
1 de Março a 30 de Abril

Prazo para a entrega do texto completo das comunicações aceites:
15 de Junho

Período normal de inscrições no Congresso:
1 de Março a 30 de Junho

CONTACTOS
Geral:

5sopcom@ics.uminho.pt
Entrega de comunicações:
5sopcom.papers@ics.uminho.pt

http://www.5sopcom.uminho.pt/

Semana Sem TV (acção no Porto)


















Foi dia 23 de Abril, mas fica para arquivo: o grupo Artactiv@ e o GAIA organizaram uma performance de rua sobre o tema da Semana sem TV, na Praça da Batalha, Porto.


Esta campanha internacional (www.tvturnoff.org), promovida pela AdBusters desde 1999, e em Portugal pelo GAIA a partir de 2005, propõe uma semana de pausa e reflexão sobre a semana sem televisão.

GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

http:/gaia.org.pt/

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Cinema e Televisão numa época de transição

Encontro com os realizadores Ugo Gregoretti e Nino Russo, 27 de Abril de 2007, às 18h30, no Instituto Italiano de Cultura, Rua do Salitre 146 - Lisboa, no âmbito do Curso de Cinema Italiano Contemporâneo e do Indielisboa 2007. Participação de Ugo Gregoretti, Presidente da Associação Nacional Cinematográfica. e de Nino Russo, autor e realizador. O encontro abre com a projecção de dois documentários, La Sicilia del Gattopardo de Ugo Gregoretti e Da Lontano de Nino Russo. Seguir-se-á um debate acerca da relação entre cinema e televisão na Itália contemporânea.

A "ideologia" de Pina Moura no divã da ERC

ERC vai debater nomeação "ideológica" de Pina Moura (DN, 22.4.07) Falso alarme: ERC recusa avaliar nomeação de Pina Moura (Sol, 24.4.07): "A entidade reguladora dos media rejeitou hoje avaliar a nomeação do ex-ministro Pina Moura como presidente da Media Capital, considerando que a sua função é fiscalizar a 'actividade concreta' das empresas de comunicação social e não os seus responsáveis". Comunicado ERC: Nomeação do Presidente do Conselho de Administração da Media Capital.

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Desligueatv.org.br

Campanha questiona TV: "Começou domingo, dia 22, e se estende até 29, uma campanha que propõe desligar o aparelho de televisão durante uma semana para discutir a importância e os abusos desse veículo de comunicação na vida das pessoas. (...) A média nacional (brasileira) em frente à televisão é de 4h51 diários. É a maior média mundial. Maior até que a dos EUA, que criaram o projeto e a campanha e discutem o problema da televisão. Lá a média diária é de 2h08. (...) O Brasil realiza pelo segundo ano esta campanha através de uma Ong de São Paulo. Mais informações no site www.desligueatv.org.br

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Maio, 10: "Día sin televisión"

Una asociación convoca para el 10 de mayo " el día sin televisión". La Federación Ibérica de Telespectadores y Radioyentes (FIATYR) convoca a la ciudadanía a que el próximo 10 de mayo no enciendan su aparato de televisión. En la novena edición de esta campaña, «Un día 10 sin ver la televisión», la organización incidirá en la «urgente» necesidad de crear en España una autoridad audiovisual que controle los contenidos y vele por la calidad. La Federación Ibérica de Telespectadores y Radioyentes reclama calidad en los contenidos y la presencia de una autoridad audiovisual

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23.4.07

Promoções na Lusa

22.4.07


Could you spend a week without watching television? If you want to take the challenge, go to www.tvturnoff.org for tips, suggestions and activities for your family. And go to adbusters. Families shut down TV time this week.

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'Couch potato', não obrigado

Oxford English Dictionary definition of 'couch potato': " Person who spends leisure time passively or idly sitting around, especially watching television". The first recorded use of "couch potato" was in the Los Angeles Times in 1979 and it entered the Oxford English Dictionary in 1993. Mas... Farmers want "couch potato" removed from the dictionary because they believe the expression is damaging the vegetable's image.


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21.4.07

Oliver Stone to Direct Anti-War TV Ad

(AP): "Oliver Stone will direct a TV commercial as part of a campaign by MoveOn.org and VoteVets.org to bring U.S. troops home from Iraq. The Oscar-winning director and Vietnam veteran will direct a 30-second spot that will air in about three weeks on national TV. It will feature a U.S. veteran of the Iraq war or the family of a veteran discussing the war's impact."

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À procura da identidade cultural portuguesa

"TV-monstro" (act.)

Canales de TV objetan video de asesino de Virginia (AP): "Ante la enérgica reacción contra los medios de comunicación por difundir el video del joven que causó la matanza en la universidad Virginia Tech, la red de televisión Fox dijo el jueves que cesará de exhibirlo en tanto otras emisoras anunciaron que limitarán drásticamente su uso. (...) Cada peça, cada monstro.

Ver também (Público 20.4.07) Difusão de imagens criticada: «(...)Matt Lauer, apresentador do programa Today, da NBC, disse que a estação decidiu exibir as imagens "esperando que isso talvez nos ajudasse a responder à pergunta: por que é que aconteceu?". Mas referiu que a difusão do DVD foi criticada dentro da própria estação. Lauer acrescentou que a estação "limitou severamente" as imagens a transmitir. Familiares das vítimas recusaram participar no programa, em sinal de protesto.

«O DVD contém 27 clips de vídeo, um clip de áudio, 43 imagens e um texto de 23 páginas em que Cho Se-ung Hui se desresponsabiliza pelos tiroteios. "Vocês tiveram um bilião de hipóteses de evitar o que aconteceu hoje. Mas vocês decidiram derramar o meu sangue", escreveu o sul-coreano. "Empurraram-me para um canto e só me deram uma opção. A decisão foi vossa", prossegue. Cho fala dos autores do massacre no liceu Columbine, em 1999, Eric Harris e Dylan Klebold, que refere como "mártires".


«Michael Weiner, um psiquiatra forense, disse ontem, num programa da televisão ABC, que a transmissão destas imagens é "uma catástrofe social" e pediu que estas sejam retiradas das televisões e da Internet, nomeadamente do site YouTube. Weiner afirma que a difusão das imagens não contribui para a compreensão do caso e é apenas uma validação de comportamentos como o de Cho Seung Hui. Estes vídeos não nos ajudam a compreendê-lo. São uma distorsão. É uma operação de relações públicas em que ele se tenta transformar num personagem de Quentin Tarantino", concluiu Wiener, que lamentou sobretudo o facto de as imagens terem sido transmitidas sem edição prévia.»


Miguel Gaspar retoma o tema no Público (21.4.07): "Pode o responsável por 32 homicídios agir como se fosse o editor de telejornais?"


Lembram-se? (...) a 25 de Abril de 2006 (!), o Jornal Nacional da TVI dá tempo de antena, durante larguíssimos minutos, praticamente sem edição, a uma criatura que é acusada de 639 crimes sexuais. Rever A ERC não vê TV?

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Here you will find tonnes of TV theme songs from yesterday and today.
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20.4.07

Media a "casse-tête"

Lembram-se do tratamento dado nomeadamente a Garcia Pereira nas últimas presidenciais? Vejam o que o CSA exige nestas presidenciais em França: «Du 20 mars au 9 avril, la presse audiovisuelle était tenue d'appliquer l'égalité du temps de parole, qui comprend toutes les interventions sonores des douze candidats et de tous leurs soutiens, soit directement à l'antenne, soit dans un reportage. Depuis lundi 9 avril, radios et télés doivent respecter l'égalité du temps de parole mais aussi du temps d'antenne, soit "l'ensemble des éléments éditoriaux consacrés à un candidat et à ses soutiens", selon la recommandation du CSA.» O facto é que os jornalistas não gostaram: "Nous ne nions pas la nécessité de prévoir des règles d'accès aux médias pour permettre à toutes les candidatures validées par le Conseil constitutionnel d'être entendues des citoyens. Mais cela relève du casse-tête lorsqu'ils sont douze sur la ligne de départ".

Entretanto: «
Les journalistes de l'audiovisuel public déplorent l'absence de débat (AFP, 19.04.07): "Les journalistes de l'audiovisuel public ont déploré jeudi l'absence d'un débat radiotélévisé entre les candidats à la présidentielle avant le premier tour (...) Selon eux, l'absence de débat incombe "à la plupart des candidats", même si Nicolas Sarkozy, candidat de l'UMP, a été "le seul à refuser ces débats" explicitement. Mais les signataires épinglent également les directions de l'information des chaînes du service public, qui se sont réfugiés selon eux "derrière une prétendue impossibilité technique de les organiser".

«Selon les journalistes de l'audiovisuel public, l'absence de débats télévisés entre les candidats avant le premier tour n'est pas de nature à "rétablir la confiance entre médias, téléspectateurs et auditeurs" et ne permet pas de "réconcilier le monde politique avec les électeurs et la démocratie".»

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Do Parlamento e do PS para a Media Capital

Pina Moura abandona o Parlamento e vai administrar a Media Capital. Dizem que é a transferência da época... No mesmo dia em que Pais do Amaral abandona administração da Media Capital e a Prisa diz à CMVM que vai para tribunal e não dá mais pela TVI.

José Lemos não sabe se abandona funções no partido - (Público 20.4.07) Conselheiro da administração do PS poderá acumular esta função com Media Capital

Entretanto, Marques Mendes: Pina Moura na TVI tem «sabor a nomeação política».

E pergunta o Expresso (online):
É um convite de um projecto empresarial que tem um objectivo político? Pina Moura: "Não há nenhum projecto empresarial que não tenha objectivos políticos, nomeadamente no domínio da comunicação social".

Chegámos então à fase da inspiração laica e republicana da TVI. Assim seja. E como qualquer boa republicana, desta vez a estação até irá cumprir a Deliberação da ERC de Junho de 2006... E bem aplicada a doutrina, até Provedor do telespectador irá ter. Que diabo, temos que ver o lado positivo da coisa.

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Do choque eléctrico ao telechoque

("Rosa choque", do mesmo autor de "Eu sou controlado")

"(...) Já não há muitas coisas que me surpreendam depois de uns bons aninhos passados no jornalismo político. (...) Mas este último mês tem sido, no mínimo, extraordinário. Já sabíamos que o Mundo estava perigoso. Mas agora também está louco.


"O caso da campanha das “Novas oportunidades” é dos mais estúpidos e sintomáticos. O assunto já foi muito dissecado nos jornais e por razões que se resumem em poucas perguntas: cabe na cabeça de alguém fazer uma campanha destas quando o País inteiro discute os estudos do primeiro-ministro? (...) O problema é que por detrás de um cartaz ‘clean’ está uma mensagem errada, feita no momento errado e que não atingiu nenhum dos objectivos pretendidos".

"Se por acaso o Governo ainda quer continuar a campanha das Novas Oportunidades pode fazer um cartaz com Pina Moura que diga isto: “Este é o Joaquim Pina Moura que não saiu do PCP”. Conheço-o há muitos anos e gosto dele. Sei que é um tipo brilhante, culto, trabalhador e ultradisplinado e nunca o desvalorizei. Mas não percebo como é que ele aceita convites embaraçosos uns atrás dos outros. Convidar Pina Moura para presidir a um grupo de Media é uma ideia muito rebuscada e ligeiramente cómica. Pensar que ele pode aceitar faz-nos sorrir. Saber que ele aceitou faz-nos pensar bastante e ficar preocupados.


"O principal defeito de Pina Moura é não pensar antes de dar resposta aos convites que lhe dirigem. Foi isso que o fez cair em desgraça na política: aceitou ser ministro das Finanças e da Economia ao mesmo tempo e deixou de ser levado a sério; aceitou ser presidente da Iberdrola quando tinha sido ministro da Economia (e condicionado a EDP) e passou a ser olhado de forma suspeita; resolveu ficar sentado no Parlamento, onde não fazia nenhum, e deixou que as suspeitas crescessem. E agora aceitou ser presidente da Media Capital, o grupo de comunicação social com maior capitalização bolsista, dono de uma das duas licenças de televisão hertziana,
numa altura em que o Governo é acusado de tentar controlar a comunicação social e quando está (mesmo) a criar um quadro legislativo e normativo que deixaria Estaline tranquilo. (sublinhado da redacção, recordando um virulento Vasco Pulido Valente e a última crónica "A nova censura", no Público, 15.4.07: "
Em última análise, a Comissão de Carteira, como antigamente a de Censura, determinará o que é lícito ler, ouvir e ler num Portugal ao gosto do dr. Santos Silva e do primeiro-ministro.")

"Tudo isto acontece a convite da PRISA, o maior grupo de comunicação social da Península Ibérica, que tem uma relação com o PSOE muito perigosa, que no Governo Durão Barroso não conseguiu comprar a Lusomundo (três jornais, uma rádio e mais uns trocos) mas que no Governo Sócrates comprou uma das duas televisões e um ‘portfolio’ de rádios sem que o PS pestanejasse.

"Nem falo de José Lemos, que é do PS há mais tempo que Pina Moura, que foi duas vezes eleito deputado do PS, e que o acompanha para a administração depois de uma trapalhada gravíssima no CBI e na Caixa de Crédito Agrícola. Nem preciso de dizer que o homem forte da Prisa em Portugal, Miguel Gíl, foi secretário de Estado da Presidência de Felipe González e era o seu braço-direito durante muitos anos. (...)


"Ricardo Costa, Director da SIC Notícias"

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Queria ser julgado pelos media, mas não pelo Provedor...

De que tem medo a ERC?

Na sequência do post abaixo, é elucidativa, para além de pertinente, a Declaração de Voto de Luís Gonçalves da Silva. Este membro da ERC fez a seguinte proposta ao Conselho Regulador:

1. A realização de um depoimento escrito do Primeiro-Ministro relativamente aos factos que directa e indirectamente lhe foram imputados, naturalmente sem prejuízo de o depoente pretender fazê-lo de forma oral;

2. Apuramento das notícias dadas pelos serviços públicos de rádio e televisão relativamente ao objecto do procedimento desencadeado pela ERC;

3. Audição dos responsáveis de informação dos serviços públicos de rádio e televisão, com vista, entre outros, ao esclarecimento dos factos apurados em 2.

Destas três propostas o CR da ERC recusou o ponto 2, rejeitando assumir as suas responsabilidades de regulador nesta matéria. Mas afinal de que terá medo a ERC? Porquê deixar de lado um dos pontos fundamentais da resposta a dar aos portugueses?

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19.4.07

"Um jornalista responsável..."

Constança Cunha e Sá, "A pulsão suicida" (Público, 19.4.07): «Pelo que se depreende do que foi escrito, esta semana, um jornalista responsável não pode fragilizar politicamente um Governo que está "convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito". Antes de "dar gás" a "trapalhadas" avulsas e crises ministeriais, tem que fazer uma avaliação da política governamental: se esta for positiva, como parece ser a do eng. Sócrates, as "trapalhadas" devem desaparecer perante as velhas e recorrentes questões que interessam verdadeiramente aos portugueses; se, pelo contrário, a política anunciada indiciar o pior, como aconteceu, por exemplo, no tempo do dr. Santana Lopes, então qualquer "trapalhada" deve transformar-se num caso nacional, com direito a primeiras páginas e a aberturas de telejornais.»

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ERC inclui Sócrates nas audições

ERC anuncia novas audições: "Na sequência das audições realizadas no passado dia 12 de Abril, no âmbito da publicação do artigo "Impulso irresistível de controlar" no jornal Expresso, o Conselho Regulador decidiu hoje, por proposta do Presidente, Azeredo Lopes, do vice-presidente Elísio de Oliveira e da vogal Estrela Serrano, a realização das seguintes audições adicionais":
  • Primeiro Ministro, através de depoimento escrito;
  • Luís Bernardo, Assessor de Imprensa do Primeiro Ministro;
  • Director de Informação da TVI, José Eduardo Moniz;
  • Director de Informação da RTP, Luís Marinho.
E perguntam vocês: será que a deliberação da ERC virá já acompanhada de uma análise de conteúdo aos telejornais da RTP sobre o caso em apreço?


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Democracia e Web TV

[Joost]
Não há dúvida de que a televisão é o mais influente meio de comunicação na nossa cultura e agora está de facto a mudar-se para a internet. Quer pelo Joost, um software P2P que transmite programas entre utilizadores, uma grande TV online, quer através de outros projectos. O Joost foi criado pelos mesmos idealizadores do skype e do Kazaa (Niklas Zennström e Janus Friis), e já possui mais de 25 canais e diversos programas para serem assistidos. Let me tell you about Joost.

"Quer vêr o futuro da video via Net? Descarregue o software livre Democracy Player" Participatory Culture Foundation, este projecto considera-se "a free and open way to watch, share, and broadcast video on the internet (...) try it out: Get Democracy. É muito simples. Você tem uma experiência de video via internet de melhor qualidade com o Democracy Player porque pode fazer mais e pode fazê-lo mais facilmente. Chamam-lhe o 'TiVO para a internet' ou o ' Firefox para videos'.

E há ainda, para além do resto, o Make Internet TV Wiki
- The MITV Wiki is a library of information about publishing video on the internet. This site is a supplement to the Make Internet TV video producer's guide, which is the best starting point for most topics - join the MITV Wiki Community.

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Pour une chaîne européenne des patrimoines

Pour une chaîne européenne des patrimoines (AgoraVox) "non retour dans le domaine de l’audiovisuel où les oeuvres sont purement et simplement ignorées et les archives réduites à des confettis"...

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A avaliação da informação da RTP

Sem análise de conteúdo não se chegará a lado nenhum. É tempo perdido. Se querem de facto ver como está claramente "institucionalizada" (modo soft) a informação da RTP basta fazer uma análise de conteúdo dos Telejornais deste mês com análise comparativa dos outros media sobre o caso Sócrates/UnI. Ver DN de 19.4.07: Informação da RTP vai ser avaliada pela ERC.

Perguntam então vocês: quando acabará a institucionalização da informação da RTP?

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Quando o telefone re-toca (3)

ERC decide hoje se ouve Sócrates (Cm, 19.4.07): "A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decide hoje se convocará para audição o primeiro-ministro, José Sócrates, no âmbito do processo sobre alegadas tentativas de controlo dos jornalistas por parte do Governo."

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18.4.07

ERC ouve assessor de Sócrates

Assessor de Sócrates foi ouvido na ERC e saiu sem prestar declarações (Lusa/Publico.pt): "O assessor do primeiro-ministro para a comunicação social, David Damião, foi hoje ouvido na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) no âmbito do processo sobre alegadas tentativas de condicionamento da comunicação social por parte do Governo, tendo saído sem prestar declarações aos jornalistas presentes no local."

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Dois novos livros

Dois novos livros de investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do MInho: Casos em que o Jornalismo Foi Notícia", coordenado por Manuel Pinto e Helena Sousa, vai ser apresentado na próxima segunda-feira, dia 23, às 21.30, na Feira do Livro de Braga. A apresentação da obra estará a cargo de José Leite Pereira, director do Jornal de Notícias. Este trabalho colectivo tem como autores, além dos coordenadores, Eduardo Cintra Torres, Joaquim Fidalgo, Hália Costa Santos, Madalena Oliveira, Sandra Marinho, Sara Moutinho, Felisbela Lopes e Luís António Santos. Mais informações em: www.campo-letras.pt/newsletter_casosemque.html.

No mesmo dia e no mesmo local, será apresentado também o livro de Sara Pereira “Por Detrás do Ecrã: Programação para Crianças em Portugal”, que reúne uma parte substancial da tese de doutoramento desta investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. A obra, editada na colecção deCcomunicação da Porto Editora, será apresentada por Eduardo Jorge Madureira, coordenador do projecto “Público na Escola”, do jornal Público.

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ERC dará parecer sobre TDT

TV fechada a sete Chávez

TV vai à Justiça por Chávez não renovar concessão(AFP): "Diretores e trabalhadores da emissora de TV privada RCTV apresentaram nesta terça-feira um recurso de nulidade ao Supremo Tribunal de Justiça ante a decisão do governo venezuelano de não renovar sua licença de transmissão. (...) Chávez acusa este canal de televisão, no ar desde 1953, de ter participado do golpe de Estado que o tirou do poder por dois dias, em abril de 2002."

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17.4.07

O regresso de Eduardo Prado Coelho (sobre a RTP)

Depois de uma convalescença, Eduardo Prado Coelho regressou hoje à sua coluna habitual no Público, e percebe-se que esteve a ver e a pensar tranquilamente sobre o serviço-público-que-temos:

Menos público do que parece:
«Noutro dia fui surpreendido pelo entrevistado do programa de Judite de Sousa ser o cantor Tony Carreira. Na vez seguinte, que vimos? O entrevistado era o extraordinário Valentim Loureiro, desagradável, mentindo com uma descontracção impressionante, no limite do vulgar. Se, no primeiro caso, Judite de Sousa parece ter ficado incapaz de reagir, com Valentim Loureiro mostrou que é uma excelente profissional capaz de desmontar uma incrível personagem e pôr em causa os critérios jornalísticos que daquele programa. Com tanta gente da ciência, da tecnologia, da cultura ou do espectáculo que valeria a pena ouvir, é lamentável que coisas como estas estejam a acontecer no que se define como serviço público.

«Pude ver há algum tempo um "Prós e Contras" sobre a televisão que temos. Mas devo dizer que, tendo em conta o formato do programa, me parece que era difícil fazer melhor. O que estava em causa foi tratado, primeiro numa dimensão processual, em que se insistiu sobre entidades reguladoras, o que não foi particularmente estimulante, para só numa segunda parte se considerarem os critérios de programação. E aqui de facto há muito a dizer. Que dizer de um serviço público que tem como principal objectivo ser competitivo com os outros canais, de tal modo que, com a excepção da RTP 2, acabamos por ter todos os canais com a mesma grelha? Vá lá que há TVCabo e, no limite, um último recurso: o DVD.

«Não consigo entender que o programa da manhã do serviço público seja a Praça da Alegria, de uma mediocridade inqualificável. Não consigo entender que o serviço público seja incapaz de dar espaços a questões mais aprofundadas, que na melhor das hipóteses ficam para os verdadeiros noctívagos. O nosso serviço público falha em coisas essenciais, porque aquilo que faz a verdadeira cultura de um País parece inteiramente banido. O resto são concursos e telenovelas de baixa qualidade. Depois é ver o alinhamento dos telejornais, de tal modo semelhantes em todos os canais que se muda de um para outro e fica a impressão de que se está sempre a ver o mesmo. Para quê fazer a distinção entre o serviço público e o resto, se a lógica do resto é predominante? (...)».

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16.4.07

Quando acabará o "vai-jornalista-vem-assessor"?

Novas da 'sargeta'

Contra “alguma” comunicação social e “algumas” agências (Público 16.4.07): «Carlos Tavares (actual Presidente da CMVM) escreve que o que mais o surpreendeu na vigência do XV Governo “foi a forma como aqueles que viram os seus interesses tocados reagiram prontamente na sua defesa, muitas vezes por meios pouco dignificantes (...), por tentativas ocultas de influência e, no limite, pelo ataque pessoal aos decisores que tiveram a pretensão de servir e defender apenas os interesses do país”. “Alguma comunicação social” pela forma como “aderiu e participou activamente na defesa dos interesses instalados” é também visada: “serviu para mostrar as vulnerabilidades do sector da comunicação social e dependências de interesses económicos”. Acusa ainda “algumas agências de comunicação” e o seu “papel perverso”, que considera particularmente preocupante: “não se limitam a recolher e a transmitir informação, mas vão ao ponto de construir notícias e pseudo-factos sem correspondência com a realidade, ao serviço dos tais interesses ou, algumas vezes, até de projectos pessoais”.»

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Servicinho e serviço (público)

Blasfémias (15.4.07): "Hoje, talvez pela primeira vez, a RTP foi a única televisão a abrir o telejornal com uma notícia sobre o «caso Sócrates». Ah, pois....., foi para dar a «explicação» oficial do dia do governo." Quase ao lado, na Grande Loja, prémio "puro serviço público" para a RTP1 (Hotel Ruanda), que aliás também se portou bem com os Gatos engenheiros e a saga do canudo e com um Marcelo, apesar de tudo, ainda com sérias dúvidas... Já terá tocado o telefone? Tirando o Telejornal, e com Marcelo Rebelo de Sousa a dar uma mãozinha a Marques Mendes, depois de, na véspera, Cavaco dar a mãozinha a Sócrates, foi noite de servicinho, mas também de serviço público.

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15.4.07

A "sala dos queimados"

Ler no DN (14.4.07) a peça de Sónia Morais Santos sobre a experiência de Mário Crespo na RTP. A sua passagem pela "sala dos queimados": «'Um dia chamaram-me para me dizer que iam arranjar-me um gabinete'. Mário Crespo foi então posto num andar vazio de um prédio em frente à RTP. 'Fiquei sozinho num andar inteiro, com uma mesa e uma cadeira. Sem nada para fazer. Seis meses no mais absoluto silêncio e vazio. Seis meses" [de 1998 a 2001 Crespo esteve sujeito a essa espécie de "tortura" na RTP a que se chama a "prateleira" deixando-o com essa "dor que se perpetua, uma ferida que não sarou, "nem vai sarar"].

Hoje como será? Onde ficará a sala dos queimados? E a dos chamuscados? Alguma dica? Mesmo que sejam só "queimaduras" de primeiro grau...

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(menos) Serviço Público

Eduardo Cintra Torres diz na sua crónica no Público (14.4.07), que a direcção da RTP2 acabou com o "Por Outro Lado", o programa de entrevistas de Ana Sousa Dias. Entretanto, em carta ao Director, Wemans respondia que Sousa Dias regressará em breve com novo programa. Esperemos que se mantenha o "culto".

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RTP1, governo e partidos

Paula Brito, no DN (14.4.07), escreve que a "RTP1 foi canal que deu mais notícias de política". E a certa altura diz: "Alvo de criticas constantes por parte do PSD, relativamente ao alegado favorecimento noticioso do Governo e do seu partido (PS), a RTP relegou para quarto lugar, tal como os restantes canais, as notícias relacionadas com este partido, ao dedicar-lhe 120 notícias. A TVI deu-lhe 88, a SIC 84 e a RTP2 39 peças." Então e os tempos concedidos ao Governo? Só no conjunto poderemos ter uma ideia mais precisa, se bem que estes dados por si só de pouco valham. Nesta área, conclusões sérias, só com análise de conteúdo é que são legítimas.

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14.4.07

Vai-jornalista-vem-assessor, ou quando o "jornalismo" vai nu






















Mário Crespo, colocando a "assessoria de sarjeta" no devido lugar, hoje na crónica do Expresso-Única - citado parcialmente)


Ainda o caso Sócrates/UnI. L
eia-se no Expresso (14.4.07) Fernando Madrinha: "(...)Talvez os telefonemas não fossem tão descarados se esses assessores não tivessem a profissão de jornalista, na maior parte dos casos, nem viessem das redacções que agora pressionam. E que lhes permitem o regresso no fim de cada mandato no Governo".

No Expresso da Meia Noite (SIC Notícias,13.4.07), Bettencourt Resendes, falando sobre os assessores do primeiro ministro, dizia que se tratavam de "colegas competentes"??? Regista-se. Tal como Ricardo Costa dizia há dias que "o que é preciso é que as pessoas percebam que este tipo de telefonemas, sejam do primeiro-ministro, de um ministro ou de um assessor - que são os aliados (???) mais normais - são coisas absolutamente naturais no nosso trabalho" (sublinhados e interrogações nossas).

Deste novelo promíscuo, mais uma ponta recente (Jornal de Negócios, 10.4.07): "O governo de Sócrates mudou os assessores de imprensa de três dos ministros menos populares do executivo - Obras públicas, Saúde e Economia. Quem são os novos assessores? Serão profissionais do sector ou Licenciados em Comunicação Institucional? Nein! São jornalistas, pois claro! Neste caso, Lusa, Diário de Notícias e Semanário Económico fornecem os senhores ministros!

Revisão da matéria (não etiquetados):

Jornalismo e jornalistas em Portugal: que direitos, que independência, que credibilidade?

O Jornalismo em Portugal face aos futuros Estatuto e Lei da Concentração: que independência, que autonomia, que direitos?

O Estatuto, o jornalista e a caricatura dele

Vai assessor, vem jornalista

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Sócrates deveria falar segunda vez aos portugueses (act.)

O fim-de-semana está péssimo para Sócrates. Era de recear. No cabo, tanto a SIC Notícias (Expresso de Meia Noite) como a RTPN (Choque Ideológico e Pontos de Vista) fechavam a noite de sexta-feira com o tema bem em cima da mesa. O mesmo sucedia com a abertura dos noticiários da meia-noite. Péssimas notícias surgiam com mais dois diplomas de licenciatura contraditórios. No Abrupto, Pacheco Pereira remetia o desaparecimento de um original do arquivo histórico da AR para o Procurador da República. Sabe-se agora da carta de Marques Mendes a Jaime Gama, para esclarecer esta mesma questão. Já a 14.4, sabe-se que afinal havia outro... Reitor, e é verificado que um certificado da UnI com data de 1996 já tem os prefixos telefónicos (21), que datam de 1999... (destes últimos temas, todos verificáveis por qualquer jornalista, a RTP1 no Jornal da Tarde e no Telejornal de 14.4 omitiu a maior parte, tendo, destas, só referido o assunto de haver outro reitor na altura do pedido de equivalência de Sócrates).

Tudo muito complexo e perigoso. Em vez de se ter dirigido aos portugueses reconhecendo as fragilidades do seu processo de conclusão de licenciatura, e pedindo desculpa por alguns erros cometidos, o primeiro-ministro não deixou margem para o que lhe parece querer cair em cima. E caindo em cima dele cai em cima do país.

O Expresso da Meia Noite anuncia a manchete de sábado e diz ainda que o “Primeiro-ministro pode ser chamado à ERC”: “A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai votar, na próxima semana, uma proposta no sentido de ouvir José Sócrates sobre o processo desencadeado pelo artigo do EXPRESSO "Impulso irresistível de controlar". (…) “A hipótese resulta de uma proposta do conselheiro Luís Gonçalves da Silva que vai ser votada na quinta-feira. A ser aprovada, a audição poderá ser efectuada por escrito, tendo em conta que José Sócrates ‘é titular de um órgão de soberania’. Na semana passada, o presidente da ERC, Azeredo Lopes, tinha considerado a possibilidade da audição de Sócrates ‘um acto de grande espectacularidade mas não de regulação’. Posição que é contestada por Luís Gonçalves da Silva.” E bem, o que remete de novo para o tema da governamentalização do órgão, como aqui vimos no seu processo de constituição.

Se a intervenção do regulador, neste caso, terá como objectivo, porventura, fazer alguma pedagogia sobre as más práticas políticas para com os media – e nesse caso Sócrates é protagonista crucial – uma segunda intervenção pública de Sócrates deve ser feita quanto antes, dirigindo-se aos portugueses, pedindo desculpa pelas trapalhadas, mesmo que boa parte delas não lhe digam respeito. E fechar o assunto.

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13.4.07

Fontanários impróprios para consumo

Escrita em dia (13.4.07): As fontes da manipulação: "Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas (...)

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Lembrança

"Peço-lhe, sr. primeiro-ministro, que resista à tentação do controle da Comunicação Social, não vá por aí porque nós cá estaremos para evitar essas tentações" - José Sócrates na AR, para o primeiro-ministro Santana Lopes, em 14 de Outubro de 2004. Boa lembrança...

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Irreal

Notícia da TVI (13.4.07): Sócrates com dois certificados de licenciatura; "A Universidade Independente passou a José Sócrates dois certificados de habilitações com datas diferentes da conclusão do curso e com dados diferentes no que diz respeito às disciplinas que foram concluídas, noticiou a TVI" (Sócrates: a polémica continua, Portugal Diário, 13.4.07)

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Nebulosidades

Mário Bettencourt Resendes: Um cenário de preocupação (DN,12.4.07): "As nuvens negras já não estão apenas no horizonte. Em matéria de liberdade de expressão, já chove em Portugal." Ainda no DN: Juízes estão "a atacar" a liberdade de imprensa.

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12.4.07

Quando o telefone re-toca (2)

A entrevista

38% dos portugueses que viam televisão ontem à hora da entrevista seguiram as explicações de José Sócrates na RTP1. Foram cerca de 1,6 milhões de portugueses. Mais de 60% optaram por ver outros programas. Em termos do todo nacional, a habitual minoria "esclarecida" quis prestar atenção ao tema. De entre essa, ouve uma evidente partição: os que não ficaram nada convencidos e os que ficaram totalmente convencidos. Entre os primeiros ouvimos logo Pacheco Pereira, Lobo Xavier, Joaquim Aguiar e os líderes da oposição à direita. Entre os segundos, os socialistas, de um modo geral. Significa que o assunto não ficou arrumado. Veremos se será assim e os reflexos da questão na opinião pública, na política e nos media.

Um dos argumentos recorrentes foi então o de que nem todas as perguntas foram feitas. Concordo. Algumas não tiveram razão de ser, outras porventura não chegaram sequer ao guião dos jornalistas. E a verdade é que depois do 'tornado' de Gondomar, que aniquilou Judite de Sousa, ontem tivemos um quase tornado que deixou os jornalistas perante algumas das suas próprias perplexidades. Mas Judite de Sousa fez ali falta, claramente.

Reconheça-se em todo o caso o empenho de José Alberto de Carvalho e Maria Flor Pedroso em cumprirem o seu guião relativo a muitas das perguntas que todos nos fazíamos. Mas os próprios reconhecem que fizeram as suas opções: Entrevistadores dizem que tiveram de "fazer opções" (Expresso online/Lusa): «Os entrevistadores do primeiro-ministro, José Alberto de Carvalho e Maria Flor Pedroso, admitiram hoje que poderiam ser necessários mais esclarecimentos sobre o percurso académico de José Sócrates mas justificaram que tiveram de "fazer opções".

«A quantidade de temas que foram discutidos exigiria mais detalhes talvez sobre algumas questões, mas houve que fazer opções", afirmou José Alberto Carvalho, no final da entrevista conjunta da RTP e RDP ao primeiro-ministro. A entrevista, que durou cerca de 90 minutos, dedicou metade deste tempo ao percurso académico do primeiro-ministro, servindo o restante para fazer um balanço dos dois anos do Governo.

«Identificámos as questões que era imperativo colocar, independentemente de serem agradáveis e desagradáveis", acrescentou o jornalista da RTP. José Alberto de Carvalho considerou ainda que esta foi das entrevistas onde os entrevistadores foram "mais condicionados" por outros órgãos de comunicação social.»


Sobre o discurso propriamente dito, reconheço agora eu próprio as minhas próprias perplexidades. Vai daí dei-me confrontado com "A concepção socrática da verdade" pensada por Donald Davidson sobre o Sócrates originário: "Por que Sócrates praticava o método da refutação? Uma das respostas é a que diz que ele pensava que usando-o seria conduzido às verdades morais." Voltemos então ao Sócrates originário.

Ainda:

Jorge Mourinha (Público online) Diálogos Socráticos.

José Miguel Júdice
(Público, 13.4.07) "A borboleta de Pequim ou o delta do Nilo": "(...) E com isto entramos nas coisas verdadeiramente importantes. O problema sociopolítico de Clinton foi o sexo, mas o problema relevante - o jurídico-político - foi outro, foi ter mentido perante um grande júri (não, não é um concurso de televisão...), falta tão grave que veio a ser suspenso por causa disso durante cinco anos na sua profissão de advogado.
"A comparação não é original, mas nem por isso é irrelevante. A grande questão que está em cima da mesa é a de saber se Sócrates na quarta-feira mentiu, ou se disse a verdade. Se disse a verdade (ou, se formos cínicos, como são em regra os povos velhos como os portugueses, se não se provar que mentiu), vai sair deste problema, melhor ou pior, como adiante se explicitará. Se vier a confirmar-se que mentiu, prevejo muito graves consequências (...)"

Filipe Luís (Visão online), O que resta do ‘UNIgate’: "Pelo menos três pontos ficaram por esclarecer na entrevista de José Sócrates à RTP e Antena 1. Mas deve reconhecer-se que o primeiro-ministro tem a sorte de se ter transformado num verdadeiro animal de televisão (...) A sensação final é a de que, mau grado a nebulosidade que permanece em várias questões, o primeiro-ministro terá desarmadilhado a bomba. Ora, para uma coisa dessas, é preciso ter dotes, se não de engenheiro, pelo menos, de sapador."

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Televisão em Portugal: Que Presente? Que Futuro?

“Televisão em Portugal: Que Presente? Que Futuro?”, debate com Paquete de Oliveira, Provedor do Telespectador da RTP, Isabel Medina, Jorge Leitão Ramos, Jorge Perdigão Queiroga e Júlio Isidro. Moderação a cargo de José Nuno Martins. 13 de Abril de 2007, 18:30H, no Auditório Maestro Frederico de Freitas, na sede da SPA - Av. Duque de Loulé, 31, em Lisboa.

Código para blogues

Código de Conduta para autores de blogs está disponível online (DD online): "Os autores de «blogs» devem aplicar um «código de conduta» para alertar os leitores para, por exemplo, uma eventual utilização de linguagem imprópria, sugeriu o autor do «Código de Conduta para Bloggers», um guia que está online a partir desta semana. Tim O'Reilly, editor de vários livros de programação informática e defensor do software livre e código aberto, aconselha os autores dos «blogs» a apagar os comentários ofensivos e bloqueiem a possibilidade de deixar comentários anónimos."

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11.4.07

Também há a "TV de sargeta"

Pedro d'Anunciação e a Privatização da RTP (Sol online, 10.4.07): "Porque é que o PSD, em vez de defender a privatização da RTP, não toma medidas para assegurar à estação pública um estatuto de qualidade e independência? A verdade é que, quando esteve no Governo, além de substituir os directores de Informação em função das campanhas eleitorais, se limitou a gastar um dinheirão com uma suposta transformação da RTP2 (só a campanha para a mudança de nome para a 2: deve-nos ter custado uma fortuna aos contribuintes, e outra para voltar agora ao seu nome original).

"Perante o caminho das privadas generalistas (demasiado homogéneo e básico), parece essencial manter uma Televisão pública, que possa dar alternativas de programação menos comerciais. Para não acabarmos com uma Televisão generalista de sargeta, sem qualquer concorrência que a puxe para cima."

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A ribeira e o milagre (Jornal da Tarde - RTP1)

O Jornal da Tarde, já depois das 14h, noticia uma enésima descarga poluente de efluentes suinícolas na Ribeira dos Milagres, na região de Leiria. Um representante da comissão de ambiente local levanta suspeições sobre o sistema político local/empresarial e nacional, e sobre os responsáveis ambientais, concluindo que só resta aos cidadãos apresentarem queixa ao Parlamento Europeu, mostrando às câmaras cópia da carta a enviar, findo o que termina a reportagem. Então e a contextualização, o background, etc.? E o necessário questionamento do poder local e do executivo sobre esta matéria? Assim só cheira a pouco. A ribeira estava lá, mas faltou o ‘milagre’, ou seja, fazer serviço público – de fio a pavio.

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O "factor Sócrates" e a RTP1 (act.)

RTP: Redacção preocupada com audiências - Jornal da Tarde em último lugar (CM, 11.4.07). Diz o jornalista Ricardo Tavares que "o “factor Sócrates” pode ser uma das explicações para o recente insucesso de audiência do Jornal da Tarde «como admitem os vários profissionais que o nosso jornal contactou na TV do Estado. Ainda ontem, por exemplo, “fomos a única estação que não deu eco da notícia do Rádio Clube Português a propósito do primeiro-ministro”, sublinha um dos jornalistas da RTP, apontando, à semelhança de outros companheiros de trabalho, o facto de “haver, agora, quatro pivôs” para apresentar o jornal como outra das hipotéticas causas para a perda de audiência. “Não há uma linha de continuidade, uma identificação e, por isso, o telespectador pode preferir outro canal”, sustentam algumas das nossas fontes".»

Diga-se, a propósito, que o Telejornal da RTP1 de ontem, 10.4.07, emendou a mão e referiu a notícia do RCP.

Mas já no Jornal da Tarde de 11.4.07, volta-se a omitir informação essencial na RTP1. Com alguma gravidade, dado tratar-se de informação de um órgão de soberania. Nomeadamente a resposta da secretaria-geral da Assembleia da República ao comunicado do gabinete do primeiro-ministro em que se diz tratar-se de um "lapso" das edições da AR. Como foi referido em diferentes media
(casos do Público e do CM de hoje): «a edição ‘Biografias’ teve por base, na VI Legislatura (1991 a 1995) como nas demais, os dados constantes dos registos biográficos dos senhores deputados, por eles assinados”. E acrescenta Adelina Sá Carvalho (secretária-geral da Assembleia da República): “No que se refere ao senhor deputado em questão [José Sócrates], consta também dos arquivos um registo biográfico onde está referida, como habilitação literária, o bacharelato (em abreviado ‘Bach’) em Engenharia Civil e como profissão ‘engenheiro técnico’.»

Entretanto, Luís Marinho, Director de Informação da RTP, veio dizer no Jornal de Notícias de hoje, a propósito da entrevista a Sócrates logo à noite, que "Não há temas tabus" - "não houve combinações prévias, não há temas tabus para a entrevista", o que significa que não haverá certamente também perguntas-tabu. Convém, de facto, que não haja. Por cada pergunta que fique por fazer será um novelo de dúvidas que tenderá a crescer - para Sócrates e para a RTP. Porque a questão,finalmente, é mesmo esta: se houve uma passagem "administrativa" concedida ao aluno em causa nalgumas cadeiras, o melhor é dizê-lo frontalmente ao país e o assunto certamente morrerá aí.

José Manuel Fernandes dizia ontem no debate da SIC Notícias (ver Abrupto) que a primeira vez que a RTP1 falou no assunto da licenciatura de Sócrates foi no Notas Soltas de António Vitorino com Judite de Sousa, dia 2 de Maio, e que a partir daí a jornalista foi de férias e já não será ela quem entrevistará José Sócrates. E é pena. Acho que a cadeira de entrevistadora naquela casa lhe cabe a ela, por direito próprio (mesmo apesar do 'tornado' de Gondomar)... Mas regista-se o facto.

O atraso da RTP em relação aos demais media, em matéria de agenda, face a temas difíceis para o(s) governo(s), não é novo. A "institucionalização" da RTP1 remete em regra a informação do canal para uma espécie de quarentena inicial sobre as notícias mais desfavoráveis aos governos. Só quando a opinião pública já está mais do que informada sobre as matérias e se pergunta porque é que a televisão do Estado anda calada, então é que começam a aparecer as primeiras notícias... Deve fazer parte do livro de estilo...

Entretanto, reconheça-se a frontalidade com que o Jornal da Noite da TVI de ontem (10.4.07) abordou o tema central da agenda nacional. Constança Cunha e Sá e Miguel Sousa Tavares comentaram em estúdio a matéria de actualidade, numa abertura de cerca de 15 minutos. Mas terá faltado o contraditório, ou seja, alguém em defesa de Sócrates...

Por agora vai batendo o Sol em S. Bento: "Como Sócrates se prepara para a entrevista na RTP".

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Filosofia pop

http://www.overmundo.com.br/blogs/socrates-pop-star

Sócrates pop star?

Ninguém tem tempo para ficar debatendo indefinidamente um tema como queria Sócrates: por isso pagamos por nossos representantes no parlamento...

Ainda assim Donald Davidson está certo (veja esse ótimo texto ): somente quando espomos nossas idéias as aperfeiçoamos, as lapidamos para que sejam mais claras, percebemos erros...deveriamos conversar mais. O engraçado é que hoje na literatura o que mais se aproxima do formato de diálogo são as entrevistas. De repente você lê uma entrevista de uma figura que escreve de forma obscura e nela o autor expõe as questões de maneira surpreendntemente clara...As entrevistas são sim um gênero que nos aproxima dalguma forma da filosofia...Mas quem dá entrevistas? Quem tem direito a palavra e que merece ser ouvido? Que tipo de questões são formuladas?Hoje a sociedade segue mais as imagens que brilham nas prateleiras do que as palavras de livros sagrados, hoje os jovens se identificam mais pelo som que escutam do que por alguma posição ideológica...Sócrates hoje deveria ser um pop star?...Parece que só essas figuras são questionadas sobre todos os temas, sobre valores morais, religiosos, políticos, ecológicos...Ou Sócrates teria um talk-show? Ou Sócrates não teria mais lugar?

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