27.8.09

Quando um jornalista faz "mea culpa"

Camilo Lourenço (jnegocios, 18/8): "Filipe Pinhal e a destruição de valor no BCP: «(...) Quando Jardim Gonçalves começou a fazer fretes políticos (como a compra, caríssima, do Sotto Mayor e a inexplicável aquisição do Banco Mello). Foi aí que alguns accionistas (v.g. fundos estrangeiros) perceberam que no BCP se estava a fazer tudo… menos criar valor (ao contrário dos dez anos anteriores). É bom que Pinhal, os restantes accionistas (os "enganados"), e nós (os jornalistas, que devíamos ter feito melhor trabalho na análise do BCP), não esqueçamos isto.

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23.7.09

O Jornal da Tarde (RTP1) só dá Sócrates

A informação da RTP continua igual a si mesmo. No dia em que uma personalidade de grande prestígio como Abel Mateus dá uma entrevista ao Jornal de Negócios, mostrando um elevado receio relativamente ao contínuo endividamento do país e às obras faraónicas do governo, o Jornal da Tarde da RTP1 ignorou essas declarações e só mostrou reuniões de Sócrates a propagandear TGV's & companhia...

Abel Mateus: O próximo Governo vai herdar uma situação económica sem paralelo (Jornal de Negócios, 23/7): «Abel Mateus refere, ainda, que não encontra "nenhuma folga para grandes investimentos, nem hoje nem nos próximos dez anos". "Fiz uma pequena estimativa do que isso implicaria, somando a dinâmica externa que existe actualmente com os grandes projectos de investimento: isso resultaria num endividamento externo de 240% do PIB em 2020", acrescenta.

«Abel Mateus acredita que há o risco de Portugal ficar sem dinheiro, tal como aconteceu com a Islândia. "Há, sim, com níveis de endividamento externo de 200% do PIB, com certeza haverá muitos problemas»

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18.7.09

Uma fábrica de cimento na Lua

20 de Julho de 1969 [é] uma das datas que marcaram o século XX: pela primeira vez o Homem dava os seus primeiros passos na Lua. Para a história da Televisão em Portugal, no entanto, esta data ficaria "histórica" por um segundo motivo: o carácter marcadamente oficial da informação televisiva faz com que o telejornal privilegie como primeira notícia da noite, não a chegada do Homem à Lua, mas mais uma das visitas do Presidente da República: «O Chefe do Estado presidiu esta manhã em Pataias à celebração das bodas de Prata de uma empresa de cimento (...)». A segunda notícia falava de uma visita do ministro da Justiça ao distrito de Aveiro; a terceira notícia referia uma deslocação do subsecretário de Estado do Trabalho e Previdência a Santarém; a quarta notícia falava da visita do Governador Civil da Faro a Olhão... E assim por diante... Finalmente, à décima quinta notícia, primeira do internacional, entra o slide com o emblema da Apollo ll: «O homem chegou à Lua! Nos momentos em que procedemos à leitura deste noticiário, Armstrong e Aldwin vivem os seus primeiros minutos na superfície do nosso satélite natural! O sonho milenário da humanidade, acaba de converter-se numa realidade testemunhada por mais de 500 milhões de seres humanos!». [Citação do meu livro Salazar, Caetano e a Televisão Portuguesa, Lisboa, Ed. Presença, 1996], ou de como é o próprio registo protocolar da informação que se torna "acontecimento" ao abrir o telejornal de 20 de Julho de 1969 com uma visita de Américo Tomás a uma fábrica de cimento…

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7.6.09

Telejornais e Pluralismo nas Europeias

20h00, RTP1: depois da sondagem, Vitorino e Marcelo falam, falam, falam... promovidos a "estátuas" do monolito a que chamam "serviço público".

SIC: enquanto isso, no mesmo período de tempo, falam Pacheco Pereira, António Barreto, António Costa, Maria João Avillez, Ricardo Araújo Pereira, Luis Delgado, Ricardo Costa...

É você que quer pagar 300 milhões de euros por aquele pluralismo?

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"O que se ataca, quando se ataca Manuela Moura Guedes?"

O que se ataca, quando se ataca Manuela Moura Guedes? (Luís Carmelo, Expresso online, 7/6): «Manuela Moura Guedes tornou-se, em Portugal, num alvo a abater. Poucos outros casos encarnariam melhor a metáfora futebolística e grotesca do "tiro ao boneco". Sei que é fácil, numa comunidade de pouca escala ('conhecemo-nos todos...'), mitificar as figuras públicas de modo binário, sumário e cruel. Raras vezes, a imagem hipócrita dos brandos costumes tem sido tão arrasada. Nestas condenações públicas e abrangentes, o que está em causa não é tanto a figura que suscita o 'ódio', mas qualquer outra ferida maior, de que ela - neste caso Manuela Moura Guedes - se terá tornado moeda de troca. Creio que é isso que está a acontecer. Caberá aos psicanalistas da 'coisa pública' entender a patologia. Ao cronista, restará uma analogia e uma breve conclusão, pois não pode correr o risco de influenciar os portugueses em dia de voto e reflexão. E, já agora, de muita abstenção.

«(...) Ao abordar, numa entrevista ao jornal "i" (do último sábado de Maio) o vórtice polémico em que se tem visto envolvida, devido ao telejornal das sextas-feiras na TVI, a jornalista confessou: "Não ando aqui num campeonato de simpatia". Por trás do estilo, dos modos e das disputas de isenção, Manuela Moura Guedes alegaria ainda um princípio essencial: os jornalistas não podem apenas "ser um eco", mas sim o "descodificador".

«Talvez seja a falsa mansidão e a simulação generalizada do discurso político (um 'diz que sim' que vale por um 'diz que não') que mais irrita, hoje em dia, o grande público. E o que é opaco na relação entre nomes quase enigmáticos - como Casa Pia, BPN, Freeport, BCP, Eurojust - é o que melhor caracteriza a mornidão e a correcção instaladas. A falta de clareza, o sorriso mole e o estado geral de apatia em que se encontra o país (não apenas a que se traduz através do voto) são uma face deste abismo. A outra face é o alvo fácil. A palavra rápida. A chama acusadora e recôndita que herdamos da inquisição. Goste-se ou não, Manuela Moura Guedes está lá, atrás do balcão da feira, a levar uns tirinhos. Há foguetes, há circo, há palhaços e há sobretudo uma fila enorme de carabina na mão. Em nome da empatia. E da simpatia. Claro está.»

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4.6.09

TV e financiamento dos partidos, segundo Canotilho

Má qualidade das leis custará ao Estado pelo menos 7,5 mil milhões de euros por ano (Público 27/6): «O constitucionalista Gomes Canotilho é contra a recente revisão da Lei do Financiamento dos Partidos. Diz que o timing escolhido, em ano de três eleições, é mau, preferindo fazê-lo com mais reflexão. Embora se assuma defensor do aumento das quotas privadas, diz que o alargamento do pagamento em cash (dinheiro vivo) deveria ser mais bem estudado. E devem ser contabilizadas todas as formas de financiamento. “É que não é só a pasta com notas, são as notícias que dão acerca de um ou de outro, as entrevistas, quem tem comentadores na TV e quem não tem. Seja a coberto ou a descoberto, tudo isso é financiamento.”

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28.5.09

Inventários do não-situacionismo

Dos jornalistas que (não) calam

Quem tem medo de Manuela Moura Guedes? (João Miguel Tavares, DN/26 Maio): «As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades.»

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22.5.09

16.5.09

A capa e o embargo dela

Polémica entre o 'Expresso' e a TVI (DN/5): «O director do semanário Expresso, Henrique Monteiro, acusou ontem o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes na TVI de fazer jornalismo "miserável", porque mostrou a capa da edição de hoje do semanário. Monteiro escreveu no Twitter (uma rede social online) que só enviou a capa do jornal para a TVI com o embargo de só ser exibida às 24.00, no programa sobre os jornais do dia seguinte. "O que a TVI fez qualifica o seu jornalismo", escreveu Henrique Monteiro, acrescentando no post seguinte: "Confesso que achei mto [muito] estranho. De facto é miserável..." O Expresso dá destaque na primeira página à entrevista com o primo de Sócrates envolvido no caso Freeport (invocou o nome e a intervenção do então ministro do Ambiente para ganhar um concurso), que está na China.»

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12.5.09

Altas e baixas pressões

Ricardo Costa (SIC Notícias, 12/5): «No quadro da nossa actividade profissional já sofremos pressões que são brincadeiras ao pé disto» ("isto", quer dizer, caso Eurojust/Freeport/Lopes da Mota).

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24.4.09

Sócrates ataca TVI (act.)



Sócrates: Jornal Nacional é um "telejornal travestido" feito de "ódio e perseguição pessoal" (JNegócios, 22/4): «Na entrevista que concedeu ontem à RTP, o primeiro-ministro adiantou que tem o direito de processar quem me injuria e acusou o Jornal Nacional da TVI de sexta-feira de ser um espaço de caça ao homem e um telejornal travestido feito de ódio e perseguição pessoal.»

Manuela Moura Guedes processa Sócrates (TVI24, 22/4): "A jornalista Manuela Moura Guedes vai processar judicialmente o primeiro-ministro por difamação na sequência de acusações de José Sócrates ao «Jornal Nacional» da TVI, feitas na entrevista à RTP, disse esta quarta-feira a própria à Agência Lusa."

Moniz avança com queixa contra Sócrates (TVI24, 22/4): "«O director-geral da TVI confirmou, esta quarta-feira, durante o Jornal Nacional, que já avançou para os tribunais com uma queixa contra José Sócrates. «Já avancei para os tribunais com uma queixa contra José Sócrates, não impedindo outros jornalistas de o fazerem também», revelou." Ver vídeo.

Sócrates já processou nove jornalistas (Expresso, 18/4, via CJ): «O primeiro-ministro não aceita bem as notícias e comentários dos media sobre o caso Freeport e já processou nove jornalistas: cinco da TVI, três do “Público” e um do “Diário de Notícias”. Os processados não parecem muito preocupados. Manuela Moura Guedes afirma não se sentir pressionada. José Manuel Fernandes, director do “Público”, diz que o processo «é uma forma de coacção sobre o jornal», mas que não lhe tira o sono. João Miguel Tavares entende que Sócrates tem todo o direito de o processar, tal como ele tem o direito de criticar o primeiro-ministro. Entre os juristas há opiniões desencontradas sobre o fundamento para processos desta natureza. Não é novidade e em alguns casos as opiniões mudam em função das famílias políticas».

Manuel Falcão, A Esquina do Rio/Entrevista: (Jornal de Negócios, 24/4): "O discurso do primeiro-ministro transmitido pela RTP na passada terça-feira resumiu-se a um exercício de propaganda em matéria política e económica e à afirmação de ameaças relativamente ao caso Freeport. Pelo meio ficaram verdadeiras pérolas, como a de considerar como absolutamente normal tratar as opiniões de jornalistas como calúnias passíveis de perseguição criminal. É verdade que existe uma campanha negra em Portugal - mas é a que o primeiro-ministro move contra quem o critica, é a campanha negra do Governo contra a liberdade de expressão e de informação, que foi levada ao extremo quando José Sócrates, no exercício do cargo de primeiro-ministro se armou em crítico de televisão e analista de comunicação e atacou os noticiários de um canal de televisão pelo simples facto de reportar factos que lhe são pessoalmente incómodos. Nos tempos que correm, temos um primeiro-ministro que persegue notícias e opiniões publicadas na imprensa e persegue os seus autores, ao mesmo tempo que se veste de vítima. Hugo Chávez, com quem Sócrates tem uma boa relação, também se incomodava com uma estação de televisão e, para resolver o problema, mandou encerrá-la. A cobardia política anda sempre de mãos dadas com a intolerância."

Judite de Sousa: "Não faria entrevista" se Sócrates não falasse do Freeport (DN, 24/4)

» «A especulação jornalística é parte da liberdade de expressão»
» «A presunção de inocência e a liberdade de imprensa»

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20.4.09

O acontecimento irrelevante

Num artigo de referência no universo das relações entre os media e o acontecimento, Roland Barthes (1), a propósito do Maio de 68 francês, analisava a escrita do acontecimento através da palavra radiofónica difundida a partir dos postos periféricos, sugerindo a ideia de que doravante não seria à imprensa que competiria dar conhecimento da actualidade, em geral, mas sim à rádio: a história "quente" que então estava a acontecer era uma história auditiva, segundo Barthes, retomando o ouvido funções que havia perdido no universo pós‑tipográfico, voltando a ser não só o primeiro dos sentidos, mas sobretudo o sentido que funda o conhecimento.

Nessa medida, a palavra do repórter tornava‑se então o próprio acontecimento, constituindo‑se assim em discurso um outro acontecimento, cujo carácter impressivo, cuja intensidade, não correspondia a uma mudança real.

Esta distanciação natural entre palavras e mundo pode também ser analisada pela negativa: o facto de um qualquer acontecimento ter tido lugar, não o legitima, ou melhor, nao o torna imediatamente histórico. Pierre Nora constatava claramente: «Para que haja acontecimento é preciso que ele seja conhecido» (2). Trata-se portanto de uma relação excessiva que ilude constantemente uma alusão ao real ‑ alusão "violenta", como lhe chamou Baudrillard (3), que esconjura o real nos sinais de real, que dá do real a dimensão do acto mediático, e acolhe a informação sob a forma mole do pseudo‑acontecimento, ou sob a forma miraculosa da catástrofe e do fait‑divers, constituindo‑se assim o acontecimento irrelevante na «categoria cardial do nosso pensamento mágico e da nossa mitologia».

[F. Rui Cádima, “A informação televisiva. Política, actualidade trágica e "fait-divers" como legitimação”, in O Fenómeno Televisivo, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995]
.....
(1) Roland Barthes," L ' écriture de l'événement", Communications, nº 12, 1968, Paris, EHESS.
(2) Pierre Nora, "O regresso do acontecimento", Fazer História/1 , Lisboa, Bertrand,1977, pp. 243‑262.
(3) Jean Baudrillard, A Sociedade de Consumo, Lisboa, 1975, Edições 70, pp 29-30.

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3.4.09

Institucionalização da corrupção (act.)

Renúncia de Domingos Névoa é «vitória» contra a corrupção (Sol online, 3/4): "O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, disse hoje que a renúncia de Domingos Névoa à presidência da Braval «é uma vitória para quem quer combater a corrupção»

"«É uma vitoria para os que, como o BE, João Cravinho, Manuel Alegre e tantas pessoas de opiniões diferentes, consideraram a nomeação um insulto à democracia e aos portugueses», afirmou, em declarações aos jornalistas, no centro da cidade de Braga."

...

«Provocação e incentivo à corrupção» (TVI24, 2/4): "Manuel Alegre está indignado com a nomeação de Domingos Névoa, condenado por corrupção, para presidente de uma empresa intermunicipal.

"A nomeação de Domingos Névoa é uma «falta de respeito pelos valores do PS», afirmou esta quarta-feira à «TVI» Manuel Alegre, acrescentando ainda em seguida que «é uma provocação e incentivo à corrupção».

"O deputado socialista explicou à «TVI» sentir-se indignado com a atitude dos autarcas - do PS, PSD e CDS-PP - que elegeram Domingos Névoa, já condenado em tribunal por corrupção, como administrador da empresa intermunicipal Braval, de tratamento de resíduos sólidos."

Sá Fernandes escreve a Sócrates, Ferreira Leite e Portas (TVI24, 2/4): «Vereador lisboeta exige repúdio à nomeação de Domingos Névoa para empresa intermunicipal. O vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes enviou uma carta aberta aos líderes do PS, PSD e CDS-PP a apelar que repudiem a nomeação de Domingos Névoa para uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos sólidos, refere a Lusa.»

PCP: nomeação de Domingos Névoa é «inaceitável» (TVI24, 2/4): «Jerónimo de Sousa não quer condenado por corrupção à frente de empresa intermunicipal».

Ferreira Leite repudia nomeação de Domingos Névoa (Sol online, 2/4): "A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, criticou hoje o presidente da Câmara Municipal de Braga, o socialista Mesquita Machado, pela eleição de Domingos Névoa para a presidência da empresa intermunicipal Braval.

"No final de uma visita a um centro comunitário na freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra, Manuela Ferreira Leite foi questionada pela comunicação social sobre a eleição do empresário da Bragaparques Domingos Névoa, que em Fevereiro foi condenado por corrupção, para presidente da administração da Braval.

"«Reajo criticando veementemente o presidente da Câmara Municipal de Braga, que é o accionista maioritário da empresa e em relação ao qual os nossos vereadores na câmara já reagiram», declarou a presidente do PSD."

PS critica nomeação de Domingos Névoa (DN online, 4/2): «A direcção nacional do Partido Socialista considera "profundamente criticável" que Domingos Névoa, condenado por corrupção no caso Bragaparques, assuma agora a direcção da Braval, declarou à Lusa o dirigente Augusto Santos Silva.»

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1.4.09

Institucionalização da corrupção passa ao lado

Democracia portuguesa está "doente"(CM, 1/4): «João Cravinho está preocupado com a "saúde" do sistema democrático português, ao estranhar que o apenas o Bloco de Esquerda (BE) se tenha manifestado contra a nomeação de Domingos Névoa para a presidente da Braval, uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos.

«Domingos Névoa, administrador da empresa Bragaparques, foi recentemente considerado culpado no processo de tentativa de corrupção ao vereador da Câmara Municipal de Lisboa José Sá Fernandes e condenado ao pagamento de uma multa de mil euros.»

Não só se estranha que apenas o BE se tenha referido ao assunto, como mais ainda se estranha que os próprios media estejam a passar ao lado desta gravíssima institucionalização da corrupção pelo regime. Petição online.

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Situacionismo (via Abrupto)

ÍNDICE DO SITUACIONISMO (84): DOIS MUNDOS


A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

Não posso deixar de chamar a sua atenção sobre a forma como os noticiários da noite abriram hoje. Veja : RTP / SIC . Nem parece que se estão a referir ao mesmo assunto, não é?

(Miguel)

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16.2.09

Os media não falam do que está a acontecer

Uma questão interessante que os jornalistas se deveriam colocar é por exemplo esta: porque é que um telejornal abre preferencialmente com um "bom" acidente de auto-estrada (salvo seja), com mortos e feridos, e não, por exemplo, com uma peça do género "Ártico desaparece dentro de duas décadas". A resposta a esta questão explicará, em parte, a miséria do jornalismo.

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20.1.09

Boa noite, tristeza

Uma televisão de vazio (Nobre-Correia, DN, 17/1): «É uma tristeza… Mas a verdade tem que ser dita : globalmente, a televisão portuguesa é de uma grande miséria. Em termos de programação como de informação. E se fosse preciso resumir as suas principais características em apenas três palavras seria simples : telenovelas, populismo e palavreado.

«As telenovelas, de preferência brasileiras, constituem o género de programação dominante. De manhã, à tarde ou à noite há sempre uma (e até mais do que uma, ao mesmo tempo) para mobilar o tédio, a falta de curiosidade intelectual e a baixa formação cultural de grande número de espectadores. Espectadores que foram metodicamente, sistematicamente, habituados e ter por horizonte essas histórias incrivelmente medíocres e escandalosamente rebaixantes do nível cultural dos Portugueses.

«Há depois aquelas emissões com público. Emissões de jogos, de divertimento ou de debate. Com gente que aplaude, vocifera, apoia, protesta. Numa confrangedora ilusão de ágora, de fórum, de democracia participativa, de sociedade civil intervencionista, que mais não é que populismo e demagogia barata.

«Há sobretudo o palavreado. Com inúmeras emissões em que os mais diversos “comentadores” (que são aliás um pequeno círculo dos mesmos) vêm discorrer sobre tudo e sobre nada, as mais das vezes numa visível impreparação e, quantas vezes ?, numa grande inconsistência. Aos quais se vêm juntar toda uma série de convidados cuja preocupação é ocupar o mais tempo possível micros e câmaras…

«Mas há também esses inenarráveis telejornais que devem bater todos os recordes europeus em termos de duração e de “directos” (geralmente desnecessários, intermináveis e ocos). Com uma estranha hierarquização editorial (a supor que ela exista) em que é dado tratamento idêntico a temas com incidências sociais totalmente diferentes.

«Onde estão as produções originais ? As reportagens ? Os documentários ? As emissões culturais ? As emissões originais de história, de cinema, de música, de humor, de circo ? O vazio é enorme. E muito preocupante…»

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5.1.09

RTP1 sobre a Escola do Cerco: mais do mesmo

A Escola do Cerco voltou à RTP - Jornal da Tarde (4 JAN) nos mesmíssimos moldes em que por lá já havia andado [ver O TELEJORNAL igual à DREN (act.)]. Voltaram a ser ouvidos alunos, pais e o representante dos pais veio mesmo em repetição... E voltou-se a não fazer jornalismo, mas antes grave mistificação.

Da mesma maneira que Daniel Sampaio se referiu ao tema na Pública de domingo passado - Escola: mais do mesmo, também em relação ao tratamento da RTP1 é isso - "mais do mesmo". O que é profundamente lamentável da parte de um serviço público de televisão. Daniel Sampaio seria justamente um dos especialistas que a RTP deveria ouvir com toda a atenção sobre este assunto, que deveria ter merecido um tratamento tecnicamente rigoroso por parte da RTP. Vejam-se então as palavras de Daniel Sampaio:

“Os acontecimentos de uma escola do Porto, em que um aluno apontou um revólver de plástico a uma professora, foram de imediato desvalorizados por dirigentes do ME e classificados de “brincadeira de mau gosto”. Parece que o facto de ser uma arma a brincar tranquilizou a tutela, na linha de outras declarações oficiais em que a indisciplina é sempre vista separada da violência e como tal considerada de menor importância. O risco é evidente: se não valorizarmos o pequeno incidente de indisciplina, se não respondermos de imediato com medidas correctivas de responsabilização, a desordem cresce dia após dia. Sabe-se hoje que a degradação do clima na escola progride por estádios, desde a recusa de regras na turma e pouco trabalho, até actos graves de delinquência (agressão a professores, destruição de material escolar), com etapas intermédias de pequenos delitos, comportamentos provocatórios e desafios à autoridade que denunciam uma violência latente. Ora a pistola de plástico insere-se num estádio intermédio de provocação que prenuncia momentos em que as regras podem passar a ser a dos grupos violentos e intimidatórios, em vez de serem construídas na sala de aula, a partir de um regulamento da escola organizado com a participação de todos.

“(…) Se o comportamento causador de perturbação for cedo diagnosticado, a medida correctora impõe-se com coerência e será apoiada pela maioria dos alunos e seus pais. (…) Se, pelo contrário, tudo for remetido para o burocrático e aborrecido “Estatuto do Aluno” ou para o Ministério Público (não se vislumbra, até agora, qualquer sucesso na prometida e muito propagandeada acção desta estrutura), nada poderá melhorar. (…) Em derradeira análise, o episódio da pistola de plástico é mais um exemplo de como este ME se concentrou no acessório: enquanto se discutem grelhas de avaliação tornadas cada vez menos exigentes pela pressão dos protestos, os professores são deixados sozinhos e sem meios perante a indisciplina crescente. Ficará para a história da educação em Portugal esta oportunidade desperdiçada e este arrastar da degradação até... às próximas eleições.”

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21.10.08

On the road to self-destruction

Steven Barnett: On the road to self-destruction, British Journalism Review, Vol. 19, No. 2, 5-13 (2008): "Professor Steven Barnett reports that a new BJR survey shows public confidence in journalism is still falling. "What ought to worry all journalists is the massive slide in trust, relative to other organisations or groups, since this question was first asked five years ago", he writes. The poll reveals that print journalism's performance is not quite as bad as the commercial broadcasters' but is on a par with the BBC. The trust figures for broadsheet journalists have declined 22 per cent over five years; those for local journalists are down 20 per cent and those for the mid-market titles down 18 per cent. This last group is the biggest loser in terms of the relative decline: while five years ago journalists on the mid-market titles were being ranked just below the middle of the table, their trust rating now languishes just above their red-top colleagues. The decline in trust extends beyond journalism to virtually every group in the list shown to those taking part in the survey, in particular public sector occupations such as police, teachers and NHS managers. Journalism's decline cannot, therefore, be seen in isolation from a more widespread phenomenon of declining faith. For an occupation that is supposed to deal in truth, however, and for which accuracy lies at the heart of the various codes of professional conduct, the scale and speed of the decline in trust is a serious issue."

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