3.7.09

O descrédito da democracia em Portugal e o débil pluralismo nos media

Se a grande maioria dos portugueses não estão/nada satisfeitos com a qualidade desta nossa estranha democracia (51% não satisfeitos e 16% nada satisfeitos) - o que coloca a questão de saber se estamos a falar ainda de democracia ou de qualquer coisa que já não é de facto uma democracia -, em matéria de pluralismo, enquanto 19 por cento dos inquiridos discordam da afirmação que diz que as "televisões privadas proporcionam informação imparcial", 30 por cento concordam com esta frase. Os mesmos 19 por cento estão em desacordo com a ideia de que "televisões públicas proporcionam informação imparcial" e 22 por cento concordam, o que significa que as pessoas acreditam mais nas televisões privadas do que na televisão pública (!), que, curiosamente, continuam a financiar (300 milhões de euros/ano) sem pestanejar... E relativamente à questão - "os media reflectem a pluralidade de opiniões na sociedade", 30 por cento dos inquiridos discordam e 33 por cento concordam. O balanço é de facto muito crítico. É de facto o descrédito da democracia portuguesa. De bom fica o estudo da SEDES e o diagnóstico feito (A Qualidade da Democracia em Portugal: A Perspectiva dos Cidadãos), que afinal nos compromete a todos. Mas que fazer quando 82 por cento dos cidadãos dizem discordar da afirmação “a justiça trata ricos e pobres de forma igual” e 79 por cento discordam da ideia de que “a justiça trata de forma igual um político e um cidadão comum”???

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1.7.09

O horror televisivo

«Sobre a televisão» (Paulo Tunhas, ionline, 1/79: Dias e dias em frente à televisão mergulham um ser humano numa infelicidade intensa. O melhor é mantê-la a uma distância prudente. Há algo que não estou disposto a perdoar facilmente a este jornal. É o tempo - semanas - que por causa desta coluna me impus passar em frente da televisão para tentar perceber melhor os nossos queridos políticos. Desde essa altura, os meus únicos momentos razoáveis são quando, em estado de desespero, transito para um canal de animaizinhos e vejo, pela milésima vez, um bando de crocodilos a mordiscarem delicadamente uns simpáticos búfalos que atravessam o rio em manada. Ou girafas. Ou térmitas. Ou varanos-de-komodo. Disso gosto, confesso. O resto é o horror. E não me refiro apenas às doses cavalares de notícias sobre futebol, que neste momento giram, não só em torno de Ronaldo, mas também dos "reforços" dos clubes. Sobretudo do Benfica. É sempre sobretudo do Benfica, mas nesta altura do ano é sobretudíssimo do Benfica. Nem aos minuciosos detalhes da carreira e da morte do horrível Michael Jackson. Falo também dos políticos. Tomemos o exemplo dos debates parlamentares. Por uma convenção tácita qualquer, ninguém faz perguntas directas e curtas, que pressionariam o primeiro-ministro a responder à questão.»

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6.6.09

Venenotícias para curar o povo

Venezuela: Fisco multa televisão crítica de Hugo Chávez em 1,67 milhões de euros por ceder espaços à oposição (Expresso online 6/6): «A estação venezuelana de televisão privada Globovisión, crítica do regime do presidente Hugo Chávez, foi sexta-feira notificada que foi multada em 1,67 milhões de euros por impostos correspondentes a mensagens transmitidas pela oposição..

«"Toda a doação implica impostos e a Globovisión não os pagou", explicou Fanny Márques, representante do Serviço Nacional Integrado de Administração Alfandegária e Tributária (SENIAT).

«Em causa estão mensagens transmitidas durante a greve de empresários e trabalhadores que, nos finais de 2002 e começos de 2003, paralisou o país durante 63 dias em protesto pelas políticas do presidente Hugo Chávez.

«O director da Globovisión, Alberto Frederico Ravell reagiu à multa, afirmando tratar-se de uma "agressão" que atribuiu ao "terrorismo judicial, fiscal e governamental" no âmbito de acções para limitar a liberdade de expressão no país.

«Nos últimos meses, o governo venezuelano tem intensificado as críticas contra a Globovisión, canal que acusa de servir o "império norte-americano" e de fazer "adoecer" o povo. Vários ministros e parlamentares têm insistido que o canal deve ser encerrado.

«A Globovisión, o principal canal de notícias da Venezuela, tem vários processos na Comissão Nacional de Telecomunicações (CONATEL) que poderão levar ao seu encerramento temporário ou definitivo. O próprio Presidente da República já sentenciou o fim do canal, sublinhando que, caso contrário, deixaria de chamar-se Hugo Chávez Frías.

«Segundo fontes não oficiais, a estação de televisão poderia ser encerrada nos próximos meses para dar origem à Venenotícias, um novo canal estatal.»

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Predadores "dentro"

Predadores sexuais «dentro» da TV: (tvi24 6/6): «Jovem de 14 anos seduzida em chat de teletexto. Esteve dois meses desaparecida».

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4.6.09

TV e financiamento dos partidos, segundo Canotilho

Má qualidade das leis custará ao Estado pelo menos 7,5 mil milhões de euros por ano (Público 27/6): «O constitucionalista Gomes Canotilho é contra a recente revisão da Lei do Financiamento dos Partidos. Diz que o timing escolhido, em ano de três eleições, é mau, preferindo fazê-lo com mais reflexão. Embora se assuma defensor do aumento das quotas privadas, diz que o alargamento do pagamento em cash (dinheiro vivo) deveria ser mais bem estudado. E devem ser contabilizadas todas as formas de financiamento. “É que não é só a pasta com notas, são as notícias que dão acerca de um ou de outro, as entrevistas, quem tem comentadores na TV e quem não tem. Seja a coberto ou a descoberto, tudo isso é financiamento.”

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28.5.09

Para verla mejor...

Apagar la TV para verla mejor (El Mundo, 24/5)

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"Babysitter" perigosa

13.5.09

Com pub, sem pub, não deverá ter cura...

Impresa avança mais de 5% com expectativa de eliminação da publicidade no canal público (JNegócios, 13/5): «As acções da Impresa seguiam a negociar em forte alta na sessão de hoje, avançando mais de 5%, animada pela notícia avançada hoje pelo Negócios de que os canais privados pretendem que o governo elimine a publicidade da RTP, o canal público de televisão, segundo os analistas e operadores contactados.

«O Negócios avança, na sua edição de hoje, que o final da publicidade na RTP voltou a ser discutido, depois do governo espanhol ter decidido aplicar esta receita no seu canal público, a TVE. Os operadores privados de televisão nacionais pretendem que o executivo de José Sócrates siga o exemplo do seu homólogo espanhol.»

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12.5.09

"Crise está a apertar com televisão privada"

"Em Março, José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, assumia o programa 'Caia Quem Caia' como uma grande aposta pessoal da qual não queria desistir, mas há três semanas foi obrigado a suspender o programa." (Sol, 12/5)

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2.5.09

Sobe e desce

Consumo de TV aumenta em várias plataformas (DN, 2/5) «Accenture revela que, apesar da crise, os telespectadores estão a ver mais televisão, já que as novas plataformas (computador pessoal e telemóvel) estão a ganhar terreno, sobretudo nos países menos desenvolvidos e entre os mais velhos

«O número de telespectadores aumentou no conjunto dos que vêem televisão através do televisor clássico e dos que usam as novas plataformas, refere a auditora Accenture, que alerta para uma consequente fragmentação das au- diências. Isto mesmo apesar da crise (ver caixa).

«Na 2.ª edição do seu estudo, junto de 14 mil consumidores em 13 países (para aferir diferentes mercados), a Accenture concluiu que os consumidores de televisão viram seis vezes mais canais de televisão (40%) este ano do que em 2008 (35%) e viram oito vezes mais programas por semana (39% este ano contra 33%, em 2008).

Mas... e há sempre um mas... Segundo o relatório Europe Logs On - European Internet Trends of Today and Tomorrow, publicado pela Microsoft, «o consumo de Internet em 2010 será, em média, de 14,2 horas por semana ou mais de 2,5 dias por mês, em comparação às 11,5 horas por semana ou 2 dias por mês, para a TV(3). Estas estimativas reflectem as constantes mudanças na forma como utilizamos o conteúdo de TV. A televisão deixou de ser uma experiência de transmissão unidireccional, passando a ser uma experiência de ligação bidireccional e fornecida através de banda larga para vários ecrãs: TV, PC e telemóvel.»«O número de inquiridos que referiu ver conteúdos de TV noutros dispositivos também aumentou este ano face ao anterior (13%), com a Accenture a indicar que este aumento se verificou nos computadores pessoais (74% este ano, contra 61% em 2008) e nos telemóveis (45% este ano, contra 32%, em 2008).»

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9.4.09

2010: mais Net, menos TV

Segundo o relatório Europe Logs On - European Internet Trends of Today and Tomorrow, publicado pela Microsoft, «o consumo de Internet em 2010 será, em média, de 14,2 horas por semana ou mais de 2,5 dias por mês, em comparação às 11,5 horas por semana ou 2 dias por mês, para a TV(3). Estas estimativas reflectem as constantes mudanças na forma como utilizamos o conteúdo de TV. A televisão deixou de ser uma experiência de transmissão unidireccional, passando a ser uma experiência de ligação bidireccional e fornecida através de banda larga para vários ecrãs: TV, PC e telemóvel.»

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26.2.09

Timor brasileiro

Globo fecha pacote com TV do Timor Leste (Supernotícia, 25/2): «A Rede Globo ampliou os seus horizontes e chegou com suas produções ao Timor Leste. O país, a partir deste mês, pode acompanhar programas da emissora como novelas, documentários e séries produzidas aqui no Brasil.

«A parceira feita entre a Globo e a RTTL (Radio e Televisão do Timor Leste) é de 3 mil horas de programação diversificada e vai até 2014. A primeira novela exibida no canal será "Sinhá Moça" e ainda estão agendados para 2009 "A Diarista", "A Grande Família", "Malhação" e "Sítio do Pica-Pau Amarelo", entre outras produções globais. (...)»

Esta notícia é interessante se pensarmos que há uns anos (2003-4), quando estávamos representados no PIDC/Unesco, Portugal não queria ouvir falar em apoios aos media de Timor...

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17.2.09

Novelas brasileiras têm impacto nos comportamentos sociais

Estudos do BID mostram que as novelas ajudaram a moldar as idéias das mulheres sobre casamento e família (BID, 29/1): «Famosas há muito por mostrar praias maravilhosas, personagens carismáticos e representações realistas da vida e das aspirações da classe média, as novelas brasileiras ajudaram a moldar as idéias das mulheres sobre divórcio e filhos de maneira crítica, segundo dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).»

«Ambos os estudos analisam o papel da televisão e das novelas em influenciar mudanças significativas nas taxas de fertilidade e divórcio no Brasil nas três últimas décadas. As taxas de fertilidade no país caíram mais de 60% desde a década de 1970 e os divórcios aumentaram mais de cinco vezes desde a década de 1980. Durante o mesmo período, a presença de aparelhos de televisão teve uma elevação de mais de dez vezes, estando hoje em mais de 80% das residências.

«As descobertas dos dois estudos, Novelas e Fertilidade: Evidências do Brasil, e Televisão e Divórcio - Evidências de Novelas Brasileiras, podem ter implicações importantes para os governos de países em desenvolvimento. As autoridades desses países com freqüência têm dificuldade para educar a população em questões sociais e de saúde pública fundamentais devido à alta taxa de analfabetismo e aos níveis limitados de circulação de jornais e de acesso à internet.

«“A televisão desempenha um papel crucial na circulação de idéias, em particular em nações em desenvolvimento com uma forte tradição oral, como o Brasil,” disse o economista do BID Alberto Chong, um dos autores dos estudos. “Os artigos sugerem que alguns programas de televisão podem ser uma ferramenta para transmitir mensagens sociais muito importantes que ajudem, por exemplo, a lutar contra a disseminação da epidemia de Aids e promover a proteção dos direitos de minorias.”»

Novelas e Fertilidade: Evidência do Brasil (em inglês)

Televisão e Divórcio: Evidência das Novelas Brasileiras (em inglês)

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16.2.09

António Lobo Antunes e a TV

«Porque é que as televisões estão infestadas de novelas que são perfeitamente miseráveis? É o que as pessoas vêem! Na literatura sempre houve best-sellers e não acho mal que sejam publicados, dá alegria à pessoa que o escreve, dá alegria a uma série de leitores. O que não podem depois é dizer "pus os portugueses a ler". No outro dia vi uma apresentadora de TV a mostrar o seu novo livro e não tenho dúvida de que vai vender, mas daqui a 20 anos ninguém saberá quem foi essa senhora.» ("Tenho sempre medo de secar a fonte", DN, 16/2).

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TV’s Hesitant March to the Net

I Want My Free TV (John Schwartz, NYT, 14/2): «(...) And this might be how we greet the digital television future: without television.»

What Convergence? TV’s Hesitant March to the Net (NYT, 15/2): «Personal Web Systems is preparing a $150 adapter to give televisions Web access. (...) Consumers will eventually buy set-top boxes that get the Internet, forcing TV makers to embed chips themselves or lose the business.»

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11.2.09

Salazar num bordel de Vigo

É o que Felícia Cabrita pensa da série ‘A Vida Privada de Salazar’, recentemente exibida na SIC e produzida pela VC Filmes (CM, 11/2) “É impensável aquele Salazar".

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20.1.09

Boa noite, tristeza

Uma televisão de vazio (Nobre-Correia, DN, 17/1): «É uma tristeza… Mas a verdade tem que ser dita : globalmente, a televisão portuguesa é de uma grande miséria. Em termos de programação como de informação. E se fosse preciso resumir as suas principais características em apenas três palavras seria simples : telenovelas, populismo e palavreado.

«As telenovelas, de preferência brasileiras, constituem o género de programação dominante. De manhã, à tarde ou à noite há sempre uma (e até mais do que uma, ao mesmo tempo) para mobilar o tédio, a falta de curiosidade intelectual e a baixa formação cultural de grande número de espectadores. Espectadores que foram metodicamente, sistematicamente, habituados e ter por horizonte essas histórias incrivelmente medíocres e escandalosamente rebaixantes do nível cultural dos Portugueses.

«Há depois aquelas emissões com público. Emissões de jogos, de divertimento ou de debate. Com gente que aplaude, vocifera, apoia, protesta. Numa confrangedora ilusão de ágora, de fórum, de democracia participativa, de sociedade civil intervencionista, que mais não é que populismo e demagogia barata.

«Há sobretudo o palavreado. Com inúmeras emissões em que os mais diversos “comentadores” (que são aliás um pequeno círculo dos mesmos) vêm discorrer sobre tudo e sobre nada, as mais das vezes numa visível impreparação e, quantas vezes ?, numa grande inconsistência. Aos quais se vêm juntar toda uma série de convidados cuja preocupação é ocupar o mais tempo possível micros e câmaras…

«Mas há também esses inenarráveis telejornais que devem bater todos os recordes europeus em termos de duração e de “directos” (geralmente desnecessários, intermináveis e ocos). Com uma estranha hierarquização editorial (a supor que ela exista) em que é dado tratamento idêntico a temas com incidências sociais totalmente diferentes.

«Onde estão as produções originais ? As reportagens ? Os documentários ? As emissões culturais ? As emissões originais de história, de cinema, de música, de humor, de circo ? O vazio é enorme. E muito preocupante…»

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Obama via Current TV & Twitter

16.1.09

SIC à procura do tempo perdido

A SIC à procura do tempo perdido: (CM, 9/1) Mudanças para 2009 - Sete horas de informação diária na SIC. "Luís Marques, o novo director-geral da SIC, defende que o gosto dos telespectadores se alterou no último ano e que a Informação se tornou no género preferido dos portugueses."

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9.1.09

Lula e a azia

Lula não lê notícias porque causam azia (8/1): «O presidente Lula não lê notícias nem assiste reportagens na televisão. Em entrevista à revista Piauí deste mês, Lula afirma que prefere não lê jornais, revistas, nem sites de notícias e blogs, e também não assiste jornais na TV. O presidente argumenta que sofre de “problemas de azia” e que a leitura de notícias pode lhe causar mal estar.

«“Quando sai alguma coisa importante, a [assessora especial] Clara [Ant] e o [ministro da Comunicação] Franklin [Martins] me trazem o artigo, ou mesmo o vídeo de uma reportagem de televisão”, justifica Lula. “Recomendaria a qualquer presidente que se afaste dos políticos e da imprensa nos fins de semana”, completa.»

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