16.9.09

Media 'spin doctoring'

Histórias próprias são só um terço dos conteúdos dos jornais (Público online, 16/9). «Um estudo sobre a influência das fontes na construção do noticiário político em Portugal concluiu que "só um terço do produto jornalístico dos diários estudados é produzido por iniciativa das redacções".

«"Mais de 60 por cento das notícias analisadas resultaram da acção de indução por parte de assessores de imprensa, relações públicas, consultores de comunicação, porta-vozes e outros peritos em 'spin doctoring', ou seja, são determinadas pelas chamadas fontes sofisticadas de informação", salientou hoje, em declarações à Lusa, Vasco Ribeiro, autor da investigação que deu origem a um livro que será lançado quinta-feira no Porto.

«Outro dado que o autor destaca desta investigação é "a incapacidade do consumidor das notícias de detectar a intervenção dos técnicos de comunicação e relações públicas na construção das mesmas". "Isto porque só em 1,3 por cento do total das notícias analisadas foram identificadas fontes profissionais de informação, facto que faz jus ao rótulo 'sombra' frequentemente colado a estes profissionais", considerou Vasco Ribeiro.

«O autor investigou o noticiário político dos quatro principais títulos da imprensa diária portuguesa de âmbito nacional e generalista e aferiu o peso relativo de cada um dos tipos de fontes, identificou os meios de transmissão de informação aos media e caracterizou os graus de confidencialidade adoptados nesta tarefa.

«Através da análise sobre 15 anos de notícias políticas publicadas pelos principais diários nacionais, "Fontes Sofisticadas de informação" (da Media XXI) apresenta-se como "uma singular investigação sobre a influência das fontes na construção do noticiário político em Portugal", explicou.

«O estudo baseia-se na análise de conteúdo das secções de "Política" e "Nacional" de Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público, nos anos 1990, 1995, 2000 e 2005. O autor analisou, no total, 5.054 notícias para aferir o peso relativo de cada tipo de fontes, identificar os meios de transmissão de informação aos média e caracterizar os graus de confidencialidade adoptados nesta tarefa.

«Vasco Ribeiro é docente do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto e da EGP - University of Porto Business School e director de Comunicação da Universidade do Porto. Consultor de comunicação de varias empresas e instituições públicas já dirigiu a campanha de várias candidaturas políticas. (Lançamento dia 17, 18:30, FNAC do NorteShopping - Matosinhos).»

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8.7.09

LES PORTUGAIS DE FRANCE FACE À LEUR TÉLÉVISION

LES PORTUGAIS DE FRANCE FACE À LEUR TÉLÉVISION - Médias, migrations et enjeux identitaires, de Manuel Antunes da Cunha. Préface de Rémy Rieffel, Presses Universitaires de Rennes (352 p.)

Les télévisions des diasporas sont investies de passions et de préjugés. Au pire, les images d’immeubles truffés de paraboles résonnent comme une alerte vis-à-vis de communautés dont on présume qu’elles prennent fait et cause pour des nations aux intentions équivoques. Au mieux, les fidèles des «chaînes du pays» sont regardés avec plus ou moins de condescendance comme des nostalgiques invétérés. Plutôt discrets, les Portugais de France sont traditionnellement considérés comme une population «bien intégrée» et qui «ne pose pas de problèmes». Tandis que certains érigent «l’invisibilité» lusitanienne en parangon du creuset républicain, d’autres y voient une véritable société parallèle profondément enracinée dans le pays d’origine. Au Portugal, l’émigration est devenue, au fil des siècles, un marqueur de l’imaginaire collectif. «Le Portugal n’est pas un petit pays» s’évertuaient à dire, jusqu’en 1974, les cartes de l’empire colonial disséminées dans les classes primaires. Depuis l’avènement de la démocratie, la grandeur de la nation se mesure à l’aune de la mobilisation d’une diaspora évaluée à près de cinq millions de personnes. C’est à la croisée de la sociologie des médias et des migrations que s’inscrit cette étude transversale de la chaîne satellitaire RTP Internacional. Il s’agit à la fois de rendre compte du phénomène télévisuel dans son ensemble (production, discours et publics) et de l’inscrire au coeur des espaces publics et privés (représentations politiques, histoire des Portugais en France, pratiques culturelles, dynamiques familiales et réseaux transnationaux). Les discours et les pratiques d’appartenances traduisent des enjeux identitaires complexes que l’on ne peut ni réduire à l’analyse d’un média, ni soustraire du contexte historique et sociopolitique dans lequel ils prennent sens.

Manuel ANTUNES DA CUNHA est docteur en Sciences de l’Information et de la Communication (Institut Français de Presse - université Paris II) et vient de conclure un post-doctorat financé par la Fundação para a Ciência e a Tecnologia(Lisbonne). Il a enseigné à la faculté de Sciences sociales de l’université Catholique Portugaise (Braga) et travaillé comme journaliste dans la presse écrite au Portugal et en France. Actuellement, il est membre associé du Laboratoire «Communication et Politique» du CNRS (Paris). Ses recherches portent, entre autres thèmes, sur les discours médiatiques, la réception et les publics, ainsi que la population d’origine portugaise.

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A RTP E O SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO

A RTP e o Serviço Público de Televisão, de Alberto Arons de Carvalho, Almedina, lançado ontem em Lisboa: «O serviço público de televisão desempenha um papel de indiscutível importância, cultural, social, económica e mesmo política. Embora seja doutrinariamente inquestionável a existência de um modelo europeu, a sua criação, bem como o seu desenvolvimento, seguiriam modelos diversos, bem evidentes caso se analisem comparativamente as experiências dos operadores dos diferentes países europeus. O objectivo deste estudo consiste em encontrar os traços caracterizadores essenciais da especificidade portuguesa no quadro desse modelo europeu.Deste modo, são detalhadamente descritas as épocas marcantes do desenvolvimento da RTP - a sua fundação, o fim do monopólio com a consequente era da concorrência e a era digital -, bem como os traços essenciais dos seus modelos de governação e de financiamento.»

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7.10.08

Chomsky ácido sobre a democracia tóxica






















Resumo: A edição original de Cartas de Lexington: Reflexões Sobre Propaganda acentuou a posição de Noam Chomsky como o mais destacado crítico dos media. Nesta nova edição actualizada, um novo capítulo, «O Que faz a Corrente Dominante dos Media Ser Dominante», expõe o pensamento mais recente de Chomsky sobre o papel dos meios de comunicação social, num mundo em rápida mutação – especialmente ao justificarem o governo dos Estados Unidos e as acções corporativas. Ao longo do livro, a análise de Chomsky sobre a administração Reagan e a anterior administração Bush oferece uma notável e surpreendente perspectiva presciente dos acontecimentos, dos jogadores chave em campo, e das políticas que formam a agenda nacional americana nos nossos dias. Cartas de Lexington: Reflexões Sobre Propaganda foi apelidado de «um antídoto indispensável às notícias televisivas e às verdades insofismáveis que se podem encontrar diariamente em jornais como o New York Times.»

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10.9.08

Lançamento: Livraria Bulhosa de Entrecampos, Terça, 16 de Setembro, 18 horas.

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10.6.08

L'Audiovisuel européen : un enjeu de civilisation

Um livrinho (já é de 2005) que os burocratas e políticos de Bruxelas deviam ler com muita atenção: Jean-Claude Batz, L'Audiovisuel européen : un enjeu de civilisation, Paris, Séguier. Ver também aqui.

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12.5.08

A Crise do Audiovisual Europeu

«(...) uma visão crítica da evolução do audiovisual europeu ao longo dos últimos vinte anos (sensivelmente no período de 1987 a 2007), procurando identificar-se ao longo da obra algumas razões de um impasse e de uma demissão institucional face ao elevados valores da cultura europeia que teimam em não emergir, sobretudo no audiovisual público europeu, que é, como se sabe, tutelado pelos Estados-membros e, também, por muito que não pareça, pela própria União Europeia.»

Lançamento no próximo dia 20 de Maio, terça-feira, às 15h45, na Universidade Católica, em Lisboa, no decorrer da 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media.

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6.5.08

The Price of Plurality

The Price of Plurality - Choice, Diversity and Broadcasting Institutions in the Digital Age (Edited by Tim Gardam and David A. L. Levy), Reuters Institute for the Study of Journalism, Oxford, 2008.

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21.4.08

O(s) Tempo(s) dos Media

Este número 7 da revista do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), dedicado ao tema "O(s) Tempo(s) dos Media", está dividido em três secções temáticas: Tempos e Transformações, História e Memória, e Cultura e Media. Dos media do tempo ao discurso do poder do tempo, este número integra abordagens e reflexões sobre os media que passam a constituir referência obrigatória.

Da introdução da coordenadora deste volume, Isabel Vargues: «O século XX foi, entre muitos outros aspectos identitários, um tempo dos media. E é a este tema que o número 7 da Revista Estudos do Século XX se dedica como objecto de reflexão na medida em que, muito justamente, se reconhece que os meios de comunicação tiveram uma evolução exponencial que permitiu grandes mudanças no seu papel e no seu contributo como instrumentos privilegiados da liberdade de expressão.

«É um dado adquirido que os media contribuem para a construção da realidade social, política e cultural, mais acentuadamente desde os finais do século XIX. Eles não só informam ou noticiam, opinam e investigam, mas, em particular, estimulam poderosamente a formação dos indivíduos e consolidam a democratização dos cidadãos, como aliás, a educação. E a liberdade de expressão torna-se uma das pedras angulares das sociedades democráticas contemporâneas na sua luta constante pelo desenvolvimento e pela paz. (…)».

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Tecnologia e Figurações do Humano

Saiu o nº 12 da Comunicação e Sociedade, do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, que trata o tema Tecnologia e Figurações do Humano. Da nota introdutória do Coordenador, Moisés de Lemos Martins : "Toda a época tem um pensamento à sua altura, um pensamento que a diga em verdade. O “rei clandestino” (Simmel) da nossa época é o pensamento do mercado global e o pensamento da técnica. A nossa época resume-se, pois, a duas ideias: o mercado global, por um lado, e toda a espécie de tecnologias, por outro, sobretudo tecnologias da informação, que suportam o mercado, e biotecnologias, que reconvertem a vida humana num mundo ainda mais “admirável” do que a própria vida (Huxley). As tecnologias da informação, ao mobilizarem a época, aceleraram o tempo histórico e criaram o mercado global (Sloterdijk: 2000)1. Esta criação significa, todavia, a crise permanente do humano, a qual é alçada a categoria dominante da cultura contemporânea. As tecnologias ligam globalmente os indivíduos em tempo real, criando neles o cérebro de que elas precisam, o de indivíduos empregáveis, competitivos e performantes no mercado, mas desarticulam-nos ao mesmo tempo como cidadãos, impondo-lhes um destino de ora em diante fragmentário, caótico e nomádico. (...)" Ver índice.

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10.12.07

Retorno a Poster

Ciberdemocracia: A Internet e a Esfera Pública (Mark Poster, 1995) CyberDemocracy: Internet and the Public Sphere

Postmodern Virtualities Mark Poster (This essay appears as Chapter 2 in the book The Second Media Age (Blackwell 1995)

O modo de informação de Mark Poster (António Fidalgo)

What’s the Matter With the Internet? (de Mark Poster, 2001, Reviewed by Willard Uncapher)

Information Please: Culture and Politics in the Age of Digital Machines (de Mark Poster, 2006, reviewed by Kenneth C. Werbin)

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4.11.07

The Public Service Broadcasting Culture

IRIS Special, 2007 Edition,"The Public Service Broadcasting Culture", European Audiovisual Observatory, Strasbourg, 2007.

This information contained in this new report is presented in the form of 14 different country profiles, the countries in question having been chosen because of the particularity of their public broadcasting systems and in order to document different regulatory models. The first part of each profile looks at the regulatory framework in each country which defines the mission of its public broadcaster as well as analysing the economic and financing model of its structure. The second part of each country profile looks at the influence of national or cultural aspects on the respective public service broadcaster as well as examining the way in which each country's cultural diversity is reflected in its public broadcaster's structure.

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19.10.07

Sobre os cartéis do copyright

Ler em particular Dan Gillmor, sobretudo o Chapter 11: The Empires Strike Back do livro We the Media: «... Everywhere we look, the forces of centralization and authority are finding ways to slow— and perhaps halt altogether—the advances we’ve made. They include the usual suspects, namely government, big telecommunications companies, and what I call the copyright cartel of entertainment companies. (...)»

Ver também Free Culture - How big media uses technology and the law to lock down culture and control creativity, de Lawrence Lessig, da Stanford Law School: «From "the most important thinker on intellectual property in the Internet era" ("The New Yorker"), a landmark manifesto about the genuine closing of the American mind. Lawrence Lessig could be called a cultural environmentalist. One of America's most original and influential public intellectuals, his focus is the social dimension of creativity: how creative work builds on the past and how society encourages or inhibits that building with laws and technologies. In his two previous books, Code and The Future of Ideas, Lessig concentrated on the destruction of much of the original promise of the Internet. Now, in Free Culture, he widens his focus to consider the diminishment of the larger public domain of ideas. In this powerful wake-up call he shows how short-sighted interests blind to the long-term damage they're inflicting are poisoning the ecosystem that fosters innovation. All creative works-books, movies, records, software, and so on-are a compromise between what can be imagined and what is possible-technologically and legally. For more than two hundred years, laws in America have sought a balance between rewarding creativity and allowing the borrowing from which new creativity springs. The original term of copyright set by the Constitution in 1787 was seventeen years. Now it is closer to two hundred. Thomas Jefferson considered protecting the public against overly long monopolies on creative works an essential government role. What did he know that we've forgotten? Lawrence Lessig shows us that while new technologies always lead to new laws, never before have the big cultural monopolists used the fear created by new technologies, specifically the Internet, to shrinkthe public domain of ideas, even as the same corporations use the same technologies to control more and more what we can and can't do with culture. As more and more culture becomes digitized, more and more becomes controllable, even as laws are being toughened at the behest of the big media groups. What's at stake is our freedom-freedom to create, freedom to build, and ultimately, freedom to imagine.»

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6.10.07

Jornalismo Digital de Terceira Geração

Jornalismo Digital de Terceira Geração, recentemente publicado pelo Labcom reúne artigos apresentados durante as "Jornadas Jornalismo On-line 2005: Aspectos e Tendências". Organizada por Suzana Barbosa, a coletânea reúne textos dos participantes da Jornada: António Fidalgo, Anabela Gradim, João Canavilhas (UBI); Concha Edo (Universidad Complutense de Madrid); Jim Hall (University College Falmouth); e Suzana Barbosa (Universidade Federal da Bahia), e agrega mais duas contribuições produzidas pelos pesquisadores Elias Machado (Universidade Federal de Santa Catarina), Marcos Palacios (Universidade Federal da Bahia) e Paulo Munhoz (Centro Universitário, FIB). Os artigos abordam aspectos que refletem a evolução do jornalismo digital em seu estágio denominado como terceira geração, indicando, por outro lado, algumas tendências do que poderá se consolidar como uma quarta fase de desenvolvimento para esta modalidade jornalística.

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Retórica da Propaganda Política pela Televisão

Retórica da Propaganda Política pela Televisão [ PDF 831 KB ], de Murilo Cesar Soares (1995). Uma tese de doutoramento numa área cada vez mais importante.

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24.9.07

“Sociedade da Informação – O Percurso Português”

Sessão de Lançamento do livro “Sociedade da Informação – O Percurso Português” - Terça, 25 de Setembro de 2007, Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3, 17:30h

O retrato dos percurso português no domínio da Sociedade da Informação vai ficar registado no livro que a APDSI - Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação editou com a Edições Sílabo e que vai ser lançado publicamente amanhã. Contando com o prefácio do Dr. Jorge Sampaio, que acompanhou como Presidente da República muitos dos acontecimentos que transformaram a Sociedade da Informação em Portugal e na Europa, o Livro é coordenado por José Dias Coelho, presidente da APDSI, e acolhe as colaborações de mais de quatro dezenas de convidados.

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Esta pesquisa aprofundada sobre o sector do Cabo e da “Pay TV” em Portugal, desenvolvida por Luísa Ribeiro no âmbito do seu mestrado em Economia, tem, à partida, dadas as suas características intrínsecas, o seu carácter inovador e o seu ineditismo, uma enorme valia. Refira-se que os resultados conseguidos ultrapassaram claramente o desafio então assumido ainda enquanto projecto de dissertação no âmbito do Mestrado em Ciências Empresariais da Faculdade de Economia do Porto.

Há que notar que os estudos técnico-científicos realizados em Portugal desde os anos 90, nesta área, se podem contar pelos dedos de uma mão. O que significa que se trata de um sector que, apesar de estratégico, tem estado relativamente secundarizado no plano académico e científico em Portugal. O facto, em si, teria justificado uma outra atenção dos centros e dos investigadores em comunicação, mas tem-se verificado que também nesta área as opções estratégicas no plano da investigação e do conhecimento técnico e científico a nível nacional nem sempre são assumidas enquanto tal, desde logo por parte do sistema científico nacional, nomeadamente no âmbito do financiamento de bolsas de formação avançada, de centros e de projectos de investigação.

Temos assim, a partir desta obra, a possibilidade de rapidamente identificarmos as especificidades de um sector crucial no processo de convergência e da migração para o digital, de entendermos quais os seus principais obstáculos e desafios, quais as suas grandes oportunidades, e, finalmente, de reunirmos informação muito substantiva para avaliarmos as grandes questões que se colocam, hoje, designadamente no mercado português, ao desenvolvimento da televisão digital no contexto das indústrias do cabo e da convergência.

O levantamento de dados, a análise das dinâmicas e tendências e a problematização agora concretizados nesta dissertação por esta especialista nas áreas de convergência do audiovisual, passa assim a ser um estudo de referência no âmbito do Cabo e da “Pay-TV” em Portugal.

Se a identificação e caracterização do sector não oferece grandes polémicas, esta obra de Luísa Ribeiro evolui depois para tópicos absolutamente fundamentais neste debate. A saber, para a questão dos desafios que já estão aí, e, através de um “benchmarking” específico, para a questão dos bloqueios que podem manifestamente subverter a própria evolução do sector, quer sob o ponto de vista da regulação – da concorrência e nível de concentração –, quer sob o ponto de vista do mercado, das suas dinâmicas, do seu equilíbrio e transparência; quer ainda sob o ponto de vista da oferta e das tendências e desafios mais marcantes. Por fim, há ainda a assinalar a importância do sector no quadro da Sociedade de Informação e do Conhecimento.

Vamos então centrar-nos naqueles que consideramos serem os três grandes eixos que caracterizam o essencial da tese de Luísa Ribeiro donde podemos extrair alguns dos tópicos mais relevantes – naturalmente, aqui numa leitura mais livre e pessoal do autor do prefácio, procurando, de forma complementar, levantar algumas das questões de actualidade sobre o sector em Portugal e o seu futuro próximo. Assim:

- No plano da regulação: destaque para a exigência de um regulador forte, que faça da sua independência a sua opção estratégia essencial, combatendo de forma determinada os abusos de posição dominante no mercado, os bloqueios à entrada dos novos operadores, as políticas de preços e, em consequência, os múltiplos prejuízos para o consumidor que derivam desses mesmos abusos.

- No plano do mercado e da sua transparência: a análise dos seus desequilíbrios, feita, nesta obra, através de um “benchmark” alargado a países afins e respectivos índices de concentração. Mas também uma problematização face aos desenvolvimentos futuros; da mesma forma, a questão da possibilidade eventual da existência de duas plataformas de serviços digitais concorrentes, num mercado que apresenta limitações e obstáculo a apenas uma delas. Âmbito em que a questão do “spin-off” da PT é fundamental, no sentido em que o quadro global e a concorrência no sector não mudarão se se vier a observar de uma falsa separação de redes e de accionistas.

- No plano da oferta, da sua especificidade e qualidade, relacionando o nível de concentração do mercado em Portugal com a oferta disponível em cada um dos mercados em comparação. E, no plano dos desafios e tendências, feito o flash-back sobre os casos americano e europeu, Luísa Ribeiro aborda o advento do digital, do quad play, da TDT, num contexto em que o Cabo se reencontra justamente com novas oportunidades face aos limites das redes sobre IP, sobretudo a partir do momento em que o vídeo passe a sobreocupar e a rede.

Luísa Ribeiro finaliza o seu trabalho de investigação e a sua reflexão, justamente, em torno do eixo das políticas públicas, alertando essencialmente para os grandes bloqueios à dinâmica presente e futura do sector.

Sendo certo que é nesse campo do regulador, do político e do legislativo que também se inscrevem os grandes objectivos do sector no contexto do desenvolvimento da Sociedade de Informação e do Conhecimento. Não só no ultrapassar da lógica de televisão aberta vs. “Pay TV”, mas sobretudo num novo registo de conteúdos em rede, de lógicas de produção e recepção cada vez mais autonomizadas e “nomádicas”. Inevitavelmente, nesta rede complexa de interacções surge ainda a questão da educação para os media, que adquire aqui, tal como referido, uma importância crucial no novo modelo pletórico de informação, entretenimento e conhecimento. Mas para que o modelo funcione e todas as competências sejam adquiridas, há ainda trabalho significativo a fazer a montante – da educação à regulação. Que está, nesta importante obra de Luísa Ribeiro, claramente enunciado. (do Prefácio, FRC)

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21.6.07

O Cabo em Portugal

Vai ser lançada no próximo dia 26 às 18 horas, na FNAC do NorteShopping, uma importante obra sobre o mercado do Cabo em Portugal. Editado pela Formalpress, na colecção Media XXI, trata-se essencialmente da tese de Mestrado Luísa Coelho Ribeiro, agora sob o título "A Televisão Paga: Dinâmicas de Mercado em Portugal e na Europa". Participarão na apresentação da obra, Elísio de Oliveira (ERC), Helder Valente (FEP), Jaime Quesado (POS_Conhecimento), Paulo Faustino (Formalpress), Pedro Luiz de Castro (Discovery Channel), Francisco Rui Cádima (UNL) e António Lobo Xavier (Sonaecom).

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18.4.07

Dois novos livros

Dois novos livros de investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do MInho: Casos em que o Jornalismo Foi Notícia", coordenado por Manuel Pinto e Helena Sousa, vai ser apresentado na próxima segunda-feira, dia 23, às 21.30, na Feira do Livro de Braga. A apresentação da obra estará a cargo de José Leite Pereira, director do Jornal de Notícias. Este trabalho colectivo tem como autores, além dos coordenadores, Eduardo Cintra Torres, Joaquim Fidalgo, Hália Costa Santos, Madalena Oliveira, Sandra Marinho, Sara Moutinho, Felisbela Lopes e Luís António Santos. Mais informações em: www.campo-letras.pt/newsletter_casosemque.html.

No mesmo dia e no mesmo local, será apresentado também o livro de Sara Pereira “Por Detrás do Ecrã: Programação para Crianças em Portugal”, que reúne uma parte substancial da tese de doutoramento desta investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. A obra, editada na colecção deCcomunicação da Porto Editora, será apresentada por Eduardo Jorge Madureira, coordenador do projecto “Público na Escola”, do jornal Público.

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28.3.07

"Il est plus facile d'interdire de voir que de permettre de penser. On décide de contrôler l'image pour s'assurer du silence de la pensée et puis, quand la pensée a perdu ses droits, on accuse l'image de tous les maux, sous prétexte qu'elle est incontrôlée" (em leitura)

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