10.2.09

Brasil vê menos TV (graças a Deus...)

Nova era: TV está perdendo a soberania no Brasil (vermelho.org 9/2): «A fartura de audiência deixou há tempos de ser rotina na televisão brasileira. Havia épocas em que grande parte do país se reunia em frente à TV de forma fiel e garantia a felicidade das emissoras, que esbanjavam pontos no Ibope. Mas isso foi moda idos da década de 80, um tempo em que o consumo de mídia era basicamente restrito à TV, rádio e impressos.

«Certa vez, por exemplo, a líder TV Globo conseguiu o feito de marcar 90% de audiência do país, sendo que todos esses televisores estavam "presos" no último capítulo de uma mesma novela: Roque Santeiro. Porém, a evolução foi implacável e a chegada da internet com seus aparatos tecnológicos, aliada a opções como a TV paga, tratou de minimizar a soberania deste meio tradicional e começar a repartir o bolo da audiência. É chegada, portanto, uma nova era de consumo de mídia.

«Uma das provas mais recentes deste novo cenário foi confirmada por dados do Ibope. O índice de TVs desligadas bateu recorde na Grande São Paulo no fim do mês de janeiro. No horário considerado nobre (das 18 às 24 horas), apenas 48% dos aparelhos permaneceram ligados, de acordo com dados referentes ao último sábado (31/01). Na semana anterior a esta data, o índice era de 54%.

«Em meio às mudanças, nem mesmo novela das oito se safou. O mesmo produto que fisgava o país em frente à telinha despencou com o passar dos anos e atingiu o patamar dos 20 pontos no Ibope. Caminho das Índias, a atual trama da emissora global, chegou a marcar 27 pontos recentemente e não representa uma exceção à regra. Apenas segue o curso constante de queda das novelas, num processo que alerta para o desgaste de um modelo que sofre concorrência.

«“Graças a Deus os tempos são outros e acabou a época em que 80 milhões de pessoas assistiam à mesma coisa. Isso é esquizofrenia aguda”, diz Nelson Hoineff, jornalista e diretor do Instituto de Estudos de Televisão, em menção ao antigo sucesso das novelas da Globo. Para ele, é uma “aberração” imaginar que grande parte de um país tão plural consuma exatamente a mesma dose de conteúdo cultural. Baseado neste contexto, ele decreta: “A TV está perdendo cada vez mais a soberania no Brasil. E isso é ótimo para o país”.»

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