17.5.08

o-caso-do-carro-que-ardeu-no-Calhariz-de-Benfica

Abriu o Jornal da Tarde e por pouco ia abrindo o Telejornal (foi segunda notícia). Afinal andávamos todos enganados. O Jornal do Crime é que é Serviço Público.

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Telejornal-monstro

"O verdadeiro monstro" (Leonel Moura, negocios.pt, 16/5): «No dia do terramoto na China, quando a notícia já circulava o planeta, os nossos telejornais, todos sem excepção, abriram com futebol. A que se seguiram outras coisas muito importantes, apitos, carolinas e tretas. Só lá mais para a frente se concedeu então algum espaço a um terramoto classificado com 7,8 na escala de Richter, ou seja, de grande intensidade, causador de vasta destruição numa área onde vivem mais de 90 milhões de pessoas.

«Não se tratou porém de uma distracção ou de um acidental lapso. Todas os dias as televisões viram o mundo de pernas para o ar, dando destaque a coisas absolutamente irrelevantes, menosprezando ou omitindo a informação realmente útil. Concebidos com base em três grandes pilares, o sensacionalismo, a política e a alarvidade, os telejornais são hoje um cancro social e cultural que mina Portugal e os portugueses, desviando atenções, deprimindo vontades, gerando falsas expectativas.» (sublinhado nosso)

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Futebulações, manipulações, legitimações, ou a cultura telejornalística da irrelevância

J. Pacheco Pereira (Público, Sábado, 17 de Maio de 2008) dá hoje ao seu artigo o talvez mais longo título da história da imprensa portuguesa: «Futebol, futebol, futebol, fumei, pequei, vou deixar de fumar, a Esmeralda entre o pai afectivo e o pai biológico, futebol, directo do acidente na A1 que provocou três feridos, os pais da pequena Maddie, futebol, tenho um cancro-tive um cancro-vou ter um cancro, futebol, futebol, futebol», voltando a incidir sobre o tema da "irrelevância" telejornalística e dos seus modos enquanto sistema de auto-legitimação política.


Escreve José Pacheco Pereira:

«Na última semana, que é igual às últimas semanas, aos últimos meses, aos últimos anos, todos os telejornais em directo foram interrompidos, eu diria mais, foram enchidos, com sucessivas e extensas declarações em directo, sobre as decisões do Conselho Disciplinar da Liga com sanções sobre clubes e dirigentes desportivos, pelo seleccionador nacional anunciando o "plantel", pelo novel director de futebol do Benfica anunciando-se e anunciando umas medidas para o seu clube. A isto acrescenta-se o número de vezes em que quer o "serviço público", quer as privadas dão jogos em horário nobre, atirando as notícias para algures, como se em particular o "serviço público" não tivesse aí obrigações. A RTP é a televisão que mais falta a essas mesmas obrigações, que justificam a superioridade moral do "público" e que, pelos vistos, só serve para receber os muitos milhões que os contribuintes pagam. Mas não é só as vezes em que directos do futebol são o telejornal, é que durante três, quatro dias não nos conseguimos ver livres daquilo. Até aparecer outro directo mais saboroso, temos que assistir a "noticiários" que repetem ad nauseam as mesmas imagens, as mesmas declarações, seguidas por milhões de palavras "escalpelizando" os "factos", em tudo o que é programa de actualidade pela noite fora. O circo está montado na nossa cabeça e nele fazemos o papel do urso amestrado ou dos macaquinhos. Nem sequer o do palhaço pobre.

(...)

«E depois o estendal dos acidentes e doenças. Os acidentes são hoje a única coisa que mobiliza directores de informação, pressionados pelo controlo de custos, a atirar a correr para Freixo de Espada à Cinta o "carro de exteriores" à compita com outros "carros de exteriores", para mostrarem camião virado ou, melhor ainda, um autocarro, ou, se andarem depressa, um ferido a ser desencarcerado, ou um morto na berma. E então se houver crianças feridas ou mortas, melhor ainda para as audiências.

(...)

«A cultura da irrelevância está impante como nunca, espectáculo e pathos brilham no sítio que anteriormente ainda era frequentado, de vez em quando, pela razão, pelo bom senso, pela virtude. Esta é, obviamente, a melhor comunicação social, a melhor televisão para os governos, e o actual cuida bem que não lhe falte dinheiro para as suas quinhentas horas de futebol. Compreende-se: a bola não pensa, é para ser chutada.»

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Efeitos da violência na TV

16.5.08

"In reality, TV contestants turn up losers"

(iht.com, 11/5): "More than 120 participants from a variety of French reality shows have signed up as clients of Jérémie Assous, a young Parisian attorney who specializes in this emerging legal territory for labor rights. In February, he scored an initial victory when a Paris court ruled that three former contestants from "L'ile de la Tentation" should be treated as regular employees (…)"

Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media

8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media - 18 a 20 de Maio - Univ. Católica (Lisboa). Ver Programa.

Serviço Público de Televisão é isto

Exemplo de destreza ecológica (F. Sobral, Correio TV, 9/5): «A ecologia não tem de ser um assunto demasiado sério. ‘Desafio Verde’, na sua irreverência, é o exemplo de como uma espécie de concurso é o verdadeiro serviço público de televisão.

«(…) No seu aspecto inovador e inteligente, ‘Desafio Verde’ não deveria ter sido colocado na RTP 2. É um programa de entretenimento ecológico, chamemos-lhe assim, que é um exemplo do verdadeiro serviço público que a RTP deveria implementar. Ou seja, é um espaço que, por direito, tinha o dever de estar no chamado ‘horário nobre’ da RTP 1.»

Assino por baixo.

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15.5.08

Jel no SXSW






Não percam logo pela 1h30 na SIC Radical a "reportagem" de Jel no South By Southwest (SXSW) 2008, em Austin - Texas. Entretanto, domingo à noite, também na Radical, arranca a nova série de Vai Tudo Abaixo, que tem corrido a preceito: "Ser detido pela Polícia está a tornar-se um hábito" (DN, 14/5). Indo um pouco mais longe, veja-se o Kalashnikov Texas Trailer www.myspace.com/kalashnikovarmy. Os portugueses estiveram em força em Austin: David Fonseca, Kalashnikov, Zé dos Frangos, Norton e Bildmeister

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14.5.08

A 'central' de Sarko

Ou se dignifica o Serviço Público ou então concordo que se feche a loja

Mais um no PSD a defender o fim do Estado na Comunicação Social. Agostinho Branquinho quer Estado sem canais generalistas de rádio e televisão (RTP online/Lusa, 9/5).

«O deputado do PSD Agostinho Branquinho defendeu hoje que o Estado deve deixar de ter canais generalistas de rádio e televisão, limitando a sua presença no meio audiovisual à promoção da língua e cultura portuguesas.

«Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, Agostinho Branquinho defendeu que "os avanços tecnológicos e a nova sociedade de participação em que vivemos não justificam a existência de serviços públicos de rádio e de televisão de carácter generalista".

«O deputado do PSD referiu que o Estado tem "sete canais de rádio em Portugal" e considerou que o canal 1 da RTP "não faz coisa diferente" da SIC e da TVI.

«"Há áreas para a intervenção do serviço público, quer na rádio, quer na televisão, nomeadamente no que diz respeito aos canais internacionais, à divulgação e promoção da língua e da cultura portuguesa no mundo e sobretudo no auxílio à produção de audiovisual em português", advogou.»

Recorde-se recentes declarações de Pedro Passos Coelho: "Acho que não se justifica o Estado deter os canais de televisão que hoje detém" (31/3)

A verdade é que Serviço Público de Televisão, verdadeiramente, salvo numa ou noutra situação, nunca existiu em Portugal ao longo de mais de 50 anos. Tal como está e esteve no passado recente, não se justifica (quando era monopólio ainda se podia dizer que não havia alternativa...). Apliquem-se os milhares de milhões de euros no 'restauro' da Escola Pública e seguramente que Portugal e os portugueses beneficiarão incomensuravelmente mais com isso. Ou então faça-se Serviço Público digno desse nome. A começar, naturalmente, na RTP1.

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"Por Favor, acordem"

Como vê a evolução da comunicação social?

[Responde Almeida Santos, em entrevista a João Marcelino e Paulo Baldaia, no DN de 11/5]:

«É uma das minhas preocupações. Sobretudo a televisão. Ninguém a considera uma escola. E eu considero que a televisão é a escola mais importante e mais influente, na formação e na deformação do ser humano.

(…)

«No primeiro capítulo do meu próximo livro, retomo o título de um livro que publiquei. Por Favor, preocupem-se. Agora é: “Por favor, acordem.” Está tudo a dormir. As pessoas estão em frente à televisão, a ver a telenovela, vão para a cama cansados, no dia seguinte vão para o trabalho, vêm, comem à pressa e vão outra vez para a telenovela... Ou as pessoas acordam ou, então, vamos todos ao fundo.»

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12.5.08

Serviço público, garrafão e couratos

O Irreal já aqui se havia referido ao caso da "Liga dos Últimos" no prime time da RTP1 [ver Por cá... 100 MEuros depois, entra a Liga dos Últimos]

Esta programação do garrafão e do courato foi agora analisada por António Barreto no seu texto "Futebol", publicado domingo, 11/5 no Público. Cito a parte relativa ao programa:

«Há alguns meses, havia um programa que a RTP exibia fora de horas num dos canais de cabo. Creio que era na RTPN. Chamava-se "A Liga dos Últimos". Para quem não viu, trata-se de um programa especial e insólito: segue e faz reportagem dos clubes de futebol das divisões inferiores e distritais. Em vez das glórias internacionais, das transferências de milhões de contos por jogador, das ligas europeias milionárias e das grandes querelas futebolísticas nacionais, tínhamos o "Portugal profundo" e o "verdadeiro povo" dos domingos. O "conceito" é simples: os pobres e os humildes também têm direito. O futebol não é apenas um desporto de ricos e milionários, de urbanos e classes médias, ou de gente bonita que faz as capas das revistas. Não. O futebol é também do povo. Por isso se mostra o povo. Campos de terra batida, jogadores com quarenta anos e barriga proeminente, clubes carregados de dívidas e destreza desportista mais ou menos nula. Jogos de nenhum interesse e de estética duvidosa. Os desafios desenrolam-se por entre enorme gritaria, piadas da plateia e berraria de toda a gente. Por esse programa passam clubes que nunca ganham um desafio, que estão em vésperas de desistir e que por vezes têm dificuldades em alinhar o número adequado de jogadores. Clubes que vão falir pois não têm dinheiro para pagar os balneários ou a electricidade. Clubes que pertencem à dona de um bar ou ao patrão de uma empresa de mudanças com duas camionetas. Não sei por que carga de água, o programa é hoje de "culto". Os urbanos gostam e deliciam-se. Dizem-se ali boçalidades cruas. Toda a gente bebe cerveja a mais. Aquelas brincadeiras de bairro ou de aldeia aspiram agora ao momento de glória que lhes é trazido pelo facto de os novos dirigentes da RTP terem passado o programa para a RTP1, às 21.00 horas de sexta-feira. Pega directamente no telejornal, precede o concurso diário. Continuam as graçolas brejeiras de mau gosto. Os palavrões disfarçados. As ordinarices mais rascas. Reina o machismo mais soez que se pode imaginar. Muita gente é filmada deliberadamente para parecer "feia, porca e má".

«Poderia pensar-se que o programa faz parte da nova "grelha" da RTP, da sua estratégia e das suas novas concepções que preconizam uma televisão popular e divertida, em poucas palavras, uma "televisão para todos", um "verdadeiro serviço público". O que resulta é, além de paradoxal, confrangedor. Não apenas intelectualmente, mas sobretudo social e moralmente. É uma hora de autêntico desprezo social pelos aldeões, pelos provincianos, pelos pobres, pelos gordos, pelos mais velhos, pelos ignorantes e pelos analfabetos. Que, aliás, se oferecem em espectáculo de escárnio. É uma espécie de "racismo social": coitados, tão estúpidos, mas praticam futebol! São tão puros! Tão autênticos!»

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"Showrnalismo"

«(...) E então o jornalista da televisão questiona a razão de as pessoas ficarem em frente à casa onde estão os suspeitos, xingando-os, jogando pedras no carro do avô da menina, num show de histeria coletiva.

«O jornalista não sabe a razão? Pois eu sei. É por causa dele mesmo, de seus colegas, do programa de televisão, dos jornais, rádios e revistas que transformaram o crime e seus personagens – inclusive o prédio – em celebridades.

«Motivada, dona Maria pega um ônibus às seis da manhã e vai até o prédio famoso onde arranja um lugarzinho bom para poder xingar os “assassinos”. Bate fotos com seu celular. Levanta o cartaz onde escreveu sobre o anjinho. Come o sanduíche que levou de casa. Comenta com a comadre sobre a janela de onde foi lançada a menina. Fala da informação exclusiva que recebeu do primo da namorada do vizinho do tio da amiga que trabalha no necrotério.

«Participa da ação. E, se der sorte, é entrevistada pela rede de televisão. Não acrescenta nada, mas tem seus quinze segundos de fama. E incentiva outras centenas de donas-marias, ávidas por aparecer na televisão. E loucas pra ver mais televisão. Que é tudo que a televisão quer.» [Luciano Pires, empauta.net, 3/5/08]

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Anemias e hipertelias da TV

A Crise do Audiovisual Europeu

«(...) uma visão crítica da evolução do audiovisual europeu ao longo dos últimos vinte anos (sensivelmente no período de 1987 a 2007), procurando identificar-se ao longo da obra algumas razões de um impasse e de uma demissão institucional face ao elevados valores da cultura europeia que teimam em não emergir, sobretudo no audiovisual público europeu, que é, como se sabe, tutelado pelos Estados-membros e, também, por muito que não pareça, pela própria União Europeia.»

Lançamento no próximo dia 20 de Maio, terça-feira, às 15h45, na Universidade Católica, em Lisboa, no decorrer da 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media.

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10.5.08

Os Contemporâneos e o "cómico" residente

M. M. Carrilho, sobre os Contemporâneos, na RTP1 (DN, 10/5): «Por fugaz que seja, por excessivo que pareça, o humor descomprime pressões, afasta temores, corrói lugares comuns. Não há nada mais eficaz para relativizar males e potenciar prazeres do que o humor, essa "faca sem lâmina a que falta o cabo", na inspirada definição de Lichtenberg. Por isso, mesmo sabendo-se que é sempre difícil à imitação impor-se ao modelo que a inspirou (são muitos os exemplos, o melhoral versus a aspirina, a pepsi versus a coca-cola, etc.), fez bem a RTP em apostar nos "contemporâneos". Apesar de ela já ter, à noite de domingo, o seu "cómico" residente...»

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9.5.08

Ciclo “Os Presidentes e a Televisão” na FCSH (act.)

Ciclo de conferências “Os Presidentes e a Televisão” na FCSH: Jorge Sampaio: Media deveriam divulgar os principais anunciantes (Público online, 8/5)


Media: Concentração económica é o maior entrave à liberdade de imprensa (Sapo/Lusa, 8/5)

Sampaio pede maior clareza na relação entre grupos económicos e os media
(Jornal de Negócios online, 8/5)


"Media devem contribuir para cidadania inclusiva" (DN, 9/5)


Economia interfere nas políticas editoriais (JN, 9/5)


Sampaio lembra erro com Santana Lopes (CM, 9/5)


Ex-Presidente Jorge Sampaio fala sobre TV e Media na FCSH


Ramalho Eanes na FCSH: pela 'descolonização' da sociedade civil (act.)


No IrrealTV:

Jorge Sampaio, crítico dos media (14/12/05)

RTP1 não emitiu Comunicação ao País do PR porque tinha no ar O Preço Certo em Euros!
(13/1/06)

Sampaio e a regulação independente dos media
(17/2/06)


Sampaio alerta para os impactes da TV na vida democrática (24/5/06)

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Das alforrecas

«P: Qual é afinal o seu estilo? MMG: Eu sou uma profissional. Não abdico dos princípios da informação. É um bocado pretensioso dizer isto, mas não faço fretes, nunca fiz, daí que o telefone não toque para mim. Não abdico do sentido crítico. Um jornalista sem sentido crítico não é nada, é uma alforreca» [a não perder, entrevista de Manuela Moura Guedes a Joana Amaral Cardoso, Público, 9/5). E ainda: Um estilo que volta à cena para medir o "pulso ao país" (JN, 9/5). MMG volta ao Jornal Nacional da TVI logo à noite.

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BB e o pluralismo do "girassol ideológico português"

«Ora bem: um jornalismo sossegado, preguiçoso, ignorante e até patético tem promovido uma série de medíocres, nos mais amplos sectores da sociedade portuguesa. A crítica dos valores suicidou-se com funambulismos verbais. Na política, apenas têm permissão de audiência duas componentes do girassol ideológico português – se há, de facto, “ideologia” no PS e no PSD. O paradigma daquele programa, “Quadratura do Círculo”, no qual as três vozes soam a uníssono, constitui um pluralismo inventado numa “realidade” de metáfora.» [Baptista Bastos, "As mitologias de segunda ordem", Jornal de Negócios, 9 Novembro 2007.

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"Memórias do cárcere nos anos 80"

6.5.08

O segundo afunilamento do sr. director de informação

The Price of Plurality

The Price of Plurality - Choice, Diversity and Broadcasting Institutions in the Digital Age (Edited by Tim Gardam and David A. L. Levy), Reuters Institute for the Study of Journalism, Oxford, 2008.

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5.5.08

Ex-Presidente Jorge Sampaio fala sobre TV e Media na FCSH

Quinta-feira, 8 de Maio, às 12 horas

FCSH, Lisboa, Av. de Berna, 26-C, Auditório 1 (Edifício B – Torre)

Organização: Departamento de Ciências da Comunicação (FCSH-UNL)

De acordo com o perfil disponível no próprio site da Presidência da República, Jorge Sampaio ganha protagonismo na história recente portuguesa ainda na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde desenvolveu relevante actividade académica e uma persistente acção política de oposição à Ditadura no início dos anos 60.

Inicia a sua actividade profissional, enquanto advogado, como defensor de presos políticos e em 1969 é candidato à Assembleia Nacional nas listas da CDE. Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, é um dos fundadores do MES, mais tarde integra a “Intervenção Socialista” e por essa altura, em Março de 1975, é nomeado Secretário de Estado da Cooperação Externa, no IV Governo Provisório.

Em 1978, Jorge Sampaio adere ao partido Socialista e, em 1979, é eleito deputado à Assembleia da República. Durante os anos 80 tem funções de destaque no grupo parlamentar socialista.

Ascende a Secretário-Geral do Partido Socialista no período 1989-1991, período em que assumiu também a presidência da Câmara Municipal de Lisboa (1989), tendo sido reeleito em 1993, com base num programa que integrava uma nova visão estratégica para Lisboa.

Pouco mais tarde (1995) apresenta a sua candidatura às presidenciais, tendo sido eleito Presidente da República a 14 de Janeiro de 1996 e reeleito a 14 de Janeiro de 2001, sempre à primeira volta, tendo pugnado nos seus mandatos por uma magistratura fortemente empenhada e dedicada aos grandes desafios que se colocam à sociedade portuguesa. As suas intervenções presidenciais estão reunidas nos livros Portugueses I, II, III, IV, V e VI, disponíveis online no site da PR.

Em 2006 o ex-PR, a convite do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, é nomeado “enviado especial” do plano da ONU na luta contra a tuberculose e em 2007 passa a ser o “Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações”, a convite do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.

A ideia para este Ciclo de Conferências surgiu há pouco mais de um ano atrás, no contexto da comemoração dos 50 anos da televisão em Portugal, numa altura em que praticamente também se iniciava a renovação das licenças das televisões privadas em Portugal.

Nesse contexto, o desafio a que nos propusemos era, no fundo, procurar enquadrar o debate que foi sendo feito na altura com uma nova proposta, ou seja, ouvir os mais altos magistrados da Nação das últimas três décadas, sobre a sua percepção da relação entre a televisão e a sociedade portuguesa na emergência da nossa jovem democracia.

Sendo certo que, dada a sua particular especificidade, a televisão tem ainda hoje uma enorme influência na sociedade portuguesa, devido, entre outros factores, à débil expressão de leitura de imprensa, à quase inexistente educação para os média, e aos índices ainda elevados de analfabetismo e iliteracia, este era, sem dúvida, para nós, um debate adequado à importância e sobretudo à grande influência da televisão junto dos portugueses.

Daí esta proposta de ouvir a opinião dos ex-Presidentes da República sobre diferentes aspectos dessa interacção entre o fenómeno televisivo e a sociedade portuguesa, com base na sua própria experiência e na sua observação privilegiada.

Após a conferência do ex-Presidente da República Ramalho Eanes é então a vez de ouvir Jorge Sampaio e conhecer a sua visão dos media e da televisão na sua relação com a sociedade portuguesa, a partir da sua experiência muito particular, enquanto Presidente da República, ao longo do período 1996-2006.

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Conferência integrada no Ciclo "Os Presidentes e a Televisão" - reflexão dos ex-Presidentes da República portuguesa sobre a Televisão, nas suas múltiplas dimensões – histórica, política, social, institucional, também sob o ponto de vista do pluralismo, da ética de antena, do contributo da televisão pública e privada para a cidadania e para os desafios que se colocam ao país. Coordenação do Ciclo: Francisco Rui Cádima (DCC-FCSH); Email: frcadima@fcsh.unl.pt

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4.5.08

Democracia, media, cidadania, em Portugal

Democracia portuguesa é das piores da Europa (DN, 4/5) Ou seja, a mancha salazarista paira como um espectro sobre as nossas cabeças, daí que, segundo o estudo da Demos: "as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem".

Ameaças à liberdade de imprensa em Portugal

Liberdade de expressão cai em Portugal

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3.5.08

MADDIE

Ameaças à liberdade de imprensa em Portugal

SJ organiza encontro para debater precariedade: O Sindicato dos Jornalistas assinala sábado o Dia da Liberdade de Imprensa com um encontro nacional de jornalistas freelance e precários, disse à agência Lusa o presidente do SJ, Alfredo Maia (Sol online, 2/5). Liberdade de imprensa em Portugal suscita alguns reparos (JN, 3/5)

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1.5.08

Liberdade de expressão cai em Portugal

Liberdade de expressão cai em Portugal (DN, 1/5): «Em 2007, o ambiente para os jornalistas agravou-se no mundo inteiro, revela relatório da organização norte-americana Freedom House, segundo o qual a melhor situação é a da Europa Ocidental, apesar do declínio em Portugal, Malta e Turquia.

«Portugal aparece criticado por causa do novo Estatuto do Jornalista, que dá aos empregadores o direito de reutilização de um trabalho nos 30 dias seguintes à publicação inicial, sem proceder a pagamentos extras.

«O presidente do Sindicato dos Jornalistas considerou "claramente insuficiente" a análise do relatório. Segundo a Lusa, Alfredo Maia diz que "seria importante que relatórios como este mencionassem mais as condições de produção dos media, porque são elas que determinam o grau de liberdade de imprensa, não apenas no que diz respeito aos jornalistas, mas também às notícias que são publicadas".» Press Freedom in 2007: A Year of Global Decline - Overview Essay


Estatuto, ética e deontologia:

Inconstitucionalidades no Estatuto do Jornalista

FEJ contra Estatuto do Jornalista

Estatuto recauchutado

Estatuto viola Constituição

Jornalistas contra o Estatuto

AR aprova Estatuto do Jornalista

Estatuto do jornalista, fontes & etc

Ameaças à liberdade editorial (act.)

"Jornalismo" e promiscuidades

As três propostas de revisão do Estatuto do Jornalista seguem para a Comissão (SJ online)

Proposta do PS altera a quebra do sigilo (DN, 28.2.07)

SJ critica posição do PS na revisão do Estatuto do Jornalista (28.2.07)

Projectos de alteração ao Estatuto do Jornalista aprovados no Parlamento (Público online, 1.2.07)

Parlamento vota Estatuto do Jornalista a 1 de Fevereiro (SJ)

SJ reforça apelo ao consenso devido a projecto do Bloco de Esquerda

SJ apela ao consenso na revisão do Estatuto do Jornalista

Discussão da proposta de lei do Estatuto do Jornalista: Direitos de autor e sigilo profissional dominaram debate (JN, 27.1.07). Intervenção do Ministro dos Assuntos Parlamentares no debate da Proposta de Lei que Altera o Estatuto do Jornalista, na Assembleia da República.

A 'central invisível', segundo o Público

FIJ e FEJ criticam alterações ao Estatuto do Jornalista em Portugal

Declinação (grátis) de conteúdos (a pagamento e com pub)

Jornalismo e jornalistas em Portugal: que direitos, que independência, que credibilidade?

O Jornalismo em Portugal face aos futuros Estatuto e Lei da Concentração: que independência, que autonomia, que direitos?

Sindicato considera proposta "um retrocesso grave" (JN, 21.9.06)

Arons de Carvalho ataca Sindicato (CM, 21.9.06)

Sindicato: novo Estatuto dos Jornalistas é uma ameaça à liberdade e à diversidade informativa.

Novo estatuto dos jornalistas divide partidos da oposição mas nenhum apoia

Parlamento inicia hoje audições sobre Estatuto do Jornalista

Estatuto do Jornalista: petição contra alterações já tem mais de 1500 assinaturas

O Estatuto, o jornalista e a caricatura dele

Vai assessor, vem jornalista

Assessores de comunicação vs. Jornalistas

Se eles já o fazem nos media, por que não fazê-lo antes nos corredores do poder?

..."Mas esta absoluta promiscuidade chegou a receber o apoio da classe"...

Ainda as incompatibilidades do jornalismo

Mistérios à volta do novo Estatuto dos Jornalistas

Aprovado novo Estatuto dos Jornalistas

Jornalistas vs. propagandistas: período de nojo ou cortar o mal ...

Como retratar no Estatuto dos Jornalistas a incompatibilidade ...

Estatuto dos Jornalistas: a cláusula da vergonha

Promiscuidade, até quando?

'SJ lança repto a Carrilho em defesa do jornalismo responsável'

«Carrilho pôs em causa 'dignidade dos jornalistas'»

A "peste branca" da TV portuguesa terá tratamento adequado da ERC?

À pergunta de ontem, nem meia resposta...

Só uma pergunta para logo à noite (Prós e Contras)

Jornalismo “tablóide” e/ou sensacionalista nas Televisões

Se os jornalistas esquecerem o monstro das audiências...

Jornalistas portugueses com más experiências no pós-25 de Abril

Direitos de autor dos jornalistas pouco protegidos

Jornalistas e Código Penal, ainda o dissenso

Os jornalistas eo 'crime' da descoberta da verdade

Sobre o novo critério editorial vigente: 'isto vende ou isto não ...

Emídio Rangel eo jornalismo sujo Patrões, "capatazes" e jornalistas

'Fretismo' ou a doença infantil do jornalismo

A 'frase' de EPC

O desassombro de Mestrinho, ou o ‘delito de opinião’ na TVI

Quem "domestica" quem?

O que restará ainda de jornalismo no jornalismo?

O caso Rui Dias José (RDP)

'Macho-media' e Cidadania

"Onde estavam eles quando suspenderam os 'Afectos' de João Carreira Bom...

Ainda o 'infotainment'

O Acordo discriminador (para memória futura)

Telejornal -‘112’

Jorge Sampaio, crítico dos media

O que escreveria Roland Barthes, hoje, nas novas barricadas de Paris?

Espiral de silêncios

Jornalismo (e autarquias) do Fim do Mundo

A 'agenda' de Fátima F.

O fogo é a linguagem

Entrevista a Barata-Feyo: "Jornalismo: da moda ao negócio"

Schmock, ou o triunfo do jornalismo

O 'tele-arrastão'

As pechas do jornalismo


-- Um caso recente - a Lusa

Lusa governamentalizada à força (Eduardo Cintra Torres, Público, 19 de Abril de 2008)

Dossiê Lusa — A história (quase) toda
(via Clube de Jornalistas): «A Lusa é uma agência paga pelo Estado, o que significa que a sua gestão deve ser clara em todos os aspectos – do pessoal ao financeiro – e a informação que fornece deve ser plural e isenta. O conflito entre o Conselho de Redacção e a direcção de Informação é tudo menos claro, como se conclui da leitura dos documentos que agora publicamos. A única pergunta possível é: de que é que a ERC está à espera?»

-- Outro caso recente - a RDP

Relatório do Provedor da RDP relativo a 2007, «em defesa do serviço público de rádio, que neste momento não está a ser cumprido. Serve interesses do Estado e de empresas», segundo o próprio. Ver também Provedor da RDP defende que a rádio pública se tornou no "parente pobre" da RTP (Público online, 30/4)

-- Ainda outro caso recente - o Pluralismo na RTP:

Violação do dever de pluralismo da RTP (2002-2008)

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30.4.08

Diz que é uma espécie de "afunilamento do espectro de assuntos"

Na entrevista a Rosa Pedroso Lima (Expresso, Sábado 26/5/08), José Alberto Carvalho, director de Informação do canal estatal diz que "Há tentativas frequentes de condicionar a RTP" e ainda: "Acho que o país vive com demasiada política e que isso provoca um afunilamento do espectro de assuntos que são cobertos pelos jornalistas. E não é muito saudável." Se é isso que a Direcção de Informação da RTP vê, selecciona, edita... estamos conversados.

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Serviço Público de Televisão, Pluralismo, Independência, TDT, 5º Canal…

Pluralismo: Convirá entender esta questão sob dois pontos de vista que são fulcrais: sob o ponto de vista do pluralismo da informação e da independência da RTP; e sob o ponto de vista da oferta diversificada de conteúdos de qualidade que promovam prioritariamente a identidade cultural portuguesa. Em ambos os pontos os resultados são claramente insatisfatórios, pelo que a RTP não justifica (e não o justifica historicamente – o problema não é só de agora), do meu ponto de vista, o elevado financiamento público global, entre taxas e dotações directas, de cerca de 300 milhões de euros/ano. Para um resultado final como o que está patente, como português e como pai, preferiria sempre que esse dinheiro fosse aplicado na Escola pública e na melhoria das condições globais de ensino para os nossos filhos.

Independência: No plano da independência e do pluralismo, mais do que submeter a sua lógica informativa ao plano institucional habitual, onde predomina uma classe política com fragilidades preocupantes, a RTP terá que ir naturalmente ao encontro das vozes seniores do País, deve ter regularmente nos seus espaços informativos as vozes dos notáveis deste país, académicos, professores, intelectuais, políticos de elevado mérito público fora do activo, etc. E deve auscultar de forma desassombrada, verdadeiramente "o que está a acontecer" e não os mimetismos de outras agendas e o jornalismo “institucional” e burocratizado, ou seja, deve ir ao encontro da experiência social, da virtude e da sociedade civil, dos desígnios da cidadania, contribuindo assim para cumprir o seu "objecto" constitucional, que é, no fundo, o de formar uma opinião pública forte, "descolonizada" (com defendia recentemente Ramalho Eanes) e emancipada.

Qualidade: Os desafios das privadas colocavam a RTP, por lei, na posição alternativa de oferecer aos portugueses aquilo que os privados não podem oferecer. Se isso pode ser evidente, em termos de serviço público, na RTP2, na RTP1 só muito pontualmente aparecem produções que respeitam essa incumbência legal. A questão não é tanto a de perder qualidade, é talvez antes de não a ter ganho tal como a Lei de Televisão e o Contrato de Concessão a obriga.

TDT: A digitalização de uma rede de comunicações é sempre um ganho, desde que seja auto-sustentável ou que eventualmente tenha um contributo público justificado em termos de prestação de um "serviço universal", como poderá ser, no limite, o caso. Mas trata-se de um projecto que só deveria ser lançado caso fosse mesmo necessário, isto é, se houvesse estudos técnicos e económicos comparados entre plataformas IP e digitais terrestres, de forma a perceber-se se a IPTV não é hoje já uma alternativa viável à TDT. O que eu sei é que Bill Gates já disse que sim. E disse-o ao próprio regulador norte-americano. Mas tal como cá, parece que disso (como de muitas outras coisas) os políticos não querem saber.

5º Canal: Aqui coincido com os actuais operadores privados, que temem a entrada no nosso diminuto mercado de um novo canal privado. Creio que as suas implicações negativas se vão registar no plano da qualidade da oferta televisiva em geral, que já é crítica hoje em dia, mas também nas condições económicas e financeiras de outros sectores como a Rádio e a Imprensa, agravando-se uma situação que é extremamente difícil desde o ano 2000, dado que o mercado publicitário está praticamente estagnado em Portugal desde essa altura. Seria preferível que, a aparecerem novos canais, que então fossem canais com dimensão regional, afectos a mercados publicitários de grande potencial não directamente concorrenciais com os disputados pelos actuais operadores.

RTP sem Pub: No novo contexto de rápido crescimento dos ambientes digitais, o serviço público de televisão e rádio, ao contrário do que se diz por aí, terá tendência a desaparecer e não a reforçar investimentos em múltiplas plataformas. Tal como está, a sua esperança de vida é de mais 10-20 anos. Eventualmente poderão permanecer, posteriormente a isso, formas de financiamento público no sector com objectivos internacionais e de promoção global da identidade cultural portuguesa e do nosso património ancestral, também com objectivos de marketing turístico, por exemplo (uma RTPi convertida em WebTV fará eventualmente sentido). O que significa que em Portugal, o serviço público de televisão deve ser reorientado, nos próximos 10-20 anos, estrategicamente nesse sentido e não no sentido da eterna "guerra de audiências" e múltiplos mimetismos com os privados. Foi chão que deu uvas, já não devíamos estar aí. Nesse processo progressivo de reconversão do sector público, faz sentido uma reconversão das próprias estratégias de captação de publicidade que deveriam ir desaparecendo do meio clássico televisão para começarem a emergir em ambiente Web.

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28.4.08

Onde pára o "órgão" (consultivo) da RTP2?

Temos uma Lei de Televisão, temos sim senhor. É a Lei n.º 27/2007, de 30 de Julho. Que no seu artigo 54º diz que "Junto do segundo serviço de programas funciona um órgão consultivo representativo dos parceiros da Administração Pública e da sociedade civil que com ele se relacionem". Mas... cadê o órgão? E será que o dito órgão só faz falta à RTP2 e não faz falta à RTP1? Bonito serviço (público)...

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A RTP1 igualzinha-igualzinha à Lei

Já agora vejam como a RTP1 está igualzinha-igualzinha à Lei (Artigo 51º): Obrigações específicas da concessionária do serviço público de televisão

1 - A concessionária do serviço público de televisão deve, de acordo com os princípios enunciados no artigo anterior, apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívica dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento de qualidade.
2 - À concessionária incumbe, designadamente:
a) Fornecer uma programação variada e abrangente, que promova a diversidade cultural e tenha em conta os interesses das minorias;
b) Promover o acesso do público às manifestações culturais portuguesas e garantir a sua cobertura informativa adequada;
c) Proporcionar uma informação isenta, rigorosa, plural e contextualizada, que garanta a cobertura noticiosa dos principais acontecimentos nacionais e internacionais;
d) Garantir a produção e transmissão de programas educativos e de entretenimento destinados ao público jovem e infantil, contribuindo para a sua formação;
e) Garantir a transmissão de programas de carácter cultural, educativo e informativo para públicos específicos, incluindo os que compõem as diversas comunidades imigrantes em Portugal;
f) Participar em actividades de educação para os meios de comunicação social, garantindo, nomeadamente, a transmissão de programas orientados para esse objectivo;
g) Promover a emissão de programas em língua portuguesa, de géneros diversificados, e reservar à produção europeia parte considerável do seu tempo de emissão, devendo dedicar-lhes percentagens superiores às exigidas na presente lei a todos os operadores de televisão, atenta a missão de cada um dos seus serviços de programas;
h) Apoiar a produção nacional de obras cinematográficas e áudio-visuais, no respeito pelos compromissos internacionais que vinculam o Estado Português, e a co-produção com outros países, em especial europeus e da comunidade de língua portuguesa;
(...)

[Devo ter qualquer problema na minha televisão, não consigo ver nenhuma alínea daquelas quando ligo a RTP1...]

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“Os portugueses nem deviam pagar taxa”, defende o provedor da Rádio pública

[Na Rádio, como na TV...] “Os portugueses nem deviam pagar taxa” (CM, 28 Abril 2008): «José Nuno Martins, provedor do ouvinte da RDP, entrega hoje na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) um relatório polémico de 536 páginas em que questiona o serviço público de rádio. Ao mesmo tempo, anuncia que cessa funções amanhã – dia em que completa 60 anos – não assegurando assim o cargo que assumiu em Maio de 2006 até ser escolhido sucessor.

«"A continuar o estado em que as coisas estão, os portugueses nem deviam pagar taxa. Não se justifica esse pagamento", disse ao CM José Nuno Martins. "O Presidente da República, Cavaco Silva, no seu discurso do dia 25 de Abril, destacou a falta de interesse dos jovens pela política. Ora, eu entendo que a estação jovem de serviço público, a Antena 3, deveria contribuir para minorar esse défice. Essa estação está a ser feita para jovens adultos, que é um público bem diferente. A Antena 3 ou recentra a sua acção na direcção específica dos adolescentes e jovens, ou perde a sua razão de ser. E a razão de ser da rádio é levar as pessoas a pensar, a aprender alguma filosofia, não é só música", critica. José Nuno Martins destaca ainda que o seu relatório "é muito pesado. São 536 páginas, como se fosse uma tese em defesa do serviço público de rádio, que neste momento não está a ser cumprido. Serve interesses do Estado e de empresas".»

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Nada em audiência

"Nada" (Jorge Mourinha, no Público): "(...) Repare-se nos dez programas mais vistos de sábado: futebol (com um share extraordinário de 52% - metade de todos os espectadores a ver televisão estavam a ver o Benfica-Belenenses), futebol, novela, novela, humor, humor, novela, concurso, novela, noticiário. E começo a perguntar: as audiências são assim porque não há mais nada, ou como não há mais nada as audiências são assim?"

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27.4.08

Défices do serviço público de televisão

Bollywood ataca Cabul

La televisión afgana desafía a los talibán y mantiene la emisión de culebrones índios (El Mundo, 27/4): “La mayor televisión privada de Kabul ha desafiado la orden tajante del Gobierno que le instaba a sacar fuera de antena la emisión de culebrones indios, insistiendo en que se trataba de un claro deseo de las autoridades religiosas conservadoras del país que intentan 're-talibanizar' Afganistán, según ha informado el periódico 'The Times'.

“Los dramas producidos en Bombay cuentan cada vez con más y más seguidores. Historias de familia con argumentos sencillos, una actuación algo acartonada y una producción pobre, pero que han captado al público afgano.

“Los culebrones han provocado un intenso debate. La batalla dialéctica entre liberales y conservadores, ha concluido con la orden del presidente Hamid Karzai de sacarlos de la parrilla y estableciendo como fecha tope el pasado 22 de Abril (…)”.

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Hillary/Obama na ABC, ou as 20 mil queixas televisivas

La compleja influencia del cuarto poder (El Mundo, 27/4): “Los moderadores desempeñan un papel decisivo en los debates televisivos; Tras el último debate, la web de la ABC recibió más de 20.000 quejas. Con casi 11 millones de telespectadores, el último cara a cara entre Hillary Clinton y Barack Obama en Filadelfia ha sido el más visto de los celebrados hasta ahora. Sin embargo, curiosamente, tras el debate, si una cosa quedó clara es que los principales protagonistas no fueron los dos políticos demócratas, sino los periodistas que les entrevistaron: Charlie Gibson, y George Stephanopoulos.”

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24.4.08

Patinha Antão, primeiro-ministro

No Prós e Contras da passada segunda-feira, o candidato à liderança do PSD, Patinha Antão, afirmava (às 00h18) pensar que tinha cerca de 1,5 a 2 milhões de telespectadores a segui-lo. Erro mortal. A audiência média do programa (rating) foi de 3,3% (para o share médio de 12,2%), o que significa que àquela hora em que Patinha Antão delirou com os números apenas cerca de 10% dos espectadores que ele imaginava, estavam verdadeiramente a segui-lo. Com enganos destes, um dia Patinha Antão seria primeiro-ministro e daria por ano à RTP mais 1000% do que ela verdadeiramente mereceria… Mas… não será o que fazem já hoje?...

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23.4.08

Tony Carreira contra Mário Soares (i.e. o que eles chamam serviço público de televisão)

São 23h57 (!) e estou a ver na RTP1 Mário Soares a explicar a Clara Ferreira Alves como foi a sua passagem pelo Aljube - os curros, as humilhações em celas com presos de delito comum, os seus três anos nas prisões de Salazar, o seu regresso a Portugal no 25 de Abril... Uma grande lição de história. Mas... o Serviço Público de Televisão olha para esta lição de história e decide primeiro por Tony Carreira... E depois, ainda por Tony Carreira. Depois ainda por essa praga chamada Quem quer ser milionário. Finalmente, O Caminho Faz-se Caminhando, com Mário Soares (é a isto que se chama usar os dinheiros públicos, brincar com todos nós e fazer 'anti-serviço público'):

21:00 EM REPORTAGEM "TUDO POR TONY", (Reportagem sobre Tony Carreira)
21:25 ENCONTRO DE SONHO - TONY CARREIRA
22:00 QUEM QUER SER MILIONÁRIO
23:00 O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO (Soares , o Aljube, o 25 de Abril...)

O resultado de uma programação destas é evidente: no horário seleccionado para Tony Carreira, a audiência andará pelo milhão e pouco de telespectadores, enquanto que no horário atribuído a Mário Soares andaremos à volta de cerca de 10 por cento disso. Provavelmente, os responsáveis pelos serviço público rejubilam por Tony Carreira ter dado um dos programas mais vistos do dia... Mas não é isso que se pretende de uma televisão pública. A importância e a dignidade histórica de O Caminho Faz-se Caminhando, numa TV de serviço público, só podia ter um horário - aquele que foi atribuído a Tony Carreira. Assim continua a não ser possível cumprir a missão de serviço público na RTP1.

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22.4.08

Jeff Jarvis: No jornalismo, as boas ideias são do público

Ler a entrevista de Jeff Jarvis a Pedro Ribeiro e João Pedro Pereira, no Público de 21.4.08: "No jornalismo, as boas ideias são do público". Começa assim:

P: Acha que os jorna